Exército alertou prefeitura sobre risco em Campus Fidei há 3 meses

Autoridades e membros da Igreja foram avisados sobre dificuldades do terreno caso houvesse fortes chuvas na área

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2013 | 02h04

Há três meses o Exército levantou a possibilidade de haver dificuldades no terreno de Guaratiba em caso de chuva intensa. Segundo um oficial ligado à operação de segurança do papa Francisco, o assunto foi tratado, informalmente, em reuniões com o pessoal da prefeitura do Rio e de outras áreas - da arquidiocese inclusive.

O argumento mais forte destacava que a Força conhecia todo o terreno, onde há enormes bolsões de argila porosa, a mesma que serve à produção de produtos cerâmicos e facilita a concentração de água.

Mais que isso, o local, uma gleba de 1,1 milhão de metros quadrados, é chamado pelos moradores do entorno de "brejão". E a própria denominação da área, Guaratiba, é sugestiva: "Guará" é uma ave de plumagem vermelha, pernalta, típica dos manguezais, cuja colônia - "tiba" - ocupava o Campo da Fé na primeira metade do século 20.

Os técnicos do município destacaram que a preparação contemplava um sistema de drenagem. Disseram ainda que durante julho, mês de inverno, as chuvas são escassas e fracas no Rio.

Os representantes da Igreja a rigor não se opuseram à escolha do local - a única exigência feita foi de que o local estivesse próximo de comunidades pobres, carentes de serviços públicos.

Choveu durante quatro dias e o local dos principais eventos, a vigília e a Missa do Envio, sábado e domingo, acabou transferido para Copacabana. Mais de 3 milhões de fiéis compareceram a ambas as celebrações.

Alívio. A decisão provocou certo alívio entre a equipe de segurança. Oficiais da Aeronáutica destacaram que a vigilância foi facilitada pela existência de infraestrutura urbana - por exemplo, o Hospital Copa D'Or, fica perto, na Rua Figueiredo Magalhães. Os dois drones que cuidariam da vigilância eletrônica do espaço aéreo só tiveram de alterar o plano de voo. Tropas, agentes civis e equipes especiais, como os times antiterrorismo, estavam a distância, em alerta para o caso de serem acionadas. A Força Aérea atuou com um Centro de Controle dedicado à cobertura do evento. Com a transferência de Guaratiba para Copacabana, as atribuições da Marinha cresceram. Foram mobilizadas 22 diferentes embarcações, 2 blindados anfíbios, 157 veículos e uma equipe de intervenção rápida do Grupo de Mergulhadores de Combate. As tropas do Exército somaram 7.738 militares. No total o contingente chegou a 14.306.

O líder da Guarda Suíça destacada para a viagem do papa afirmou aos colegas brasileiros que só teve um momento de preocupação, no primeiro deslocamento de Francisco, quando o comboio foi retido na Avenida Presidente Vargas pela multidão e pelo engarrafamento dos ônibus.

W. é um dos 110 homens que, ao entrarem no serviço do Vaticano, juram "defender com a vida a grata existência do Vigário de Cristo, o sucessor de Pedro". Fazem isso desde 1506. São suíços natos, admitidos com idade entre 18 e 30 anos. Todos solteiros, permanecem na ativa até os 55 anos. Treinados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte, são peritos em artes marciais e tiro de precisão, com pistola Glock de desenho especial, para uso em locais abertos.

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