Executivo pagou R$ 27 mil para amante tirar fotos de site

Ontem, Justiça negou liberdade à mulher que esquartejou o marido; polícia tem até o dia 20 para terminar inquérito

MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h03

A amante de Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, contou em depoimento à polícia que recebeu R$ 27 mil do executivo para tirar as fotos que mantinha em um site de prostituição. Ela foi o pivô da discussão que terminou com o assassinato e esquartejamento de Matsunaga pela mulher dele, Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos, em 19 de maio. A Justiça negou ontem o pedido de revogação da prisão temporária de Elize.

No depoimento prestado na sexta-feira, a amante de Matsunaga, conhecida como Natália, disse que conheceu o executivo em 13 de fevereiro e, depois disso, eles se encontravam com frequência. No início, saíam a cada dez dias. Depois, toda semana. Nos últimos tempos, chegavam a passar oito horas por dia juntos. Ela ganhava R$ 4 mil mensais, mas em abril recebeu dele a proposta de tirar as fotos do site de prostituição para ganhar R$ 27 mil por mês.

Natália contou que Matsunaga dizia que o casamento não ia bem e ele e a mulher dormiam em quartos separados. Disse que o executivo pretendia se separar depois de vender a empresa Yoki. Matsunaga teria afirmado também que não pretendia tirar a filha de Elize e pagaria como pensão aquilo que a Justiça determinasse.

Eles viajaram juntos para Montevidéu, no Uruguai, e Marília, no interior, onde Natália foi apresentada como compradora de alimentos. Contou que se viram pela última vez no dia 18 e ficou emocionada quando recebeu a notícia da morte, pois Marcos era "legal". Para ela, ele disse que gostava de andar com garotas de programa porque "eram mais carinhosas".

Justiça. O juiz Théo Assuar Gragnano, da Vara Criminal de Cotia, negou o pedido de revogação da prisão temporária de Elize, que confessou ter matado e esquartejado o marido. Ela está presa desde o dia 5 na Cadeia Pública de Itapevi, na Região Metropolitana.

Segundo o magistrado, não há razão para que Elize fique em liberdade, como pediu o advogado Luciano Santoro. Em sua decisão, o juiz afirmou que a alegação de que não há outras diligências da polícia a serem feitas nos próximos dias não foi confirmada. Gragnano diz que o inquérito ainda não foi relatado pelo delegado responsável pelo caso, Mauro Dias, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O juiz afirmou que não há motivos para imaginar que a polícia esteja atrasando a entrega do relatório - falta ainda o resultado dos laudos.

O advogado de Elize havia argumentado que sua cliente tem todos os requisitos para responder ao processo em liberdade. Santoro afirmou na segunda-feira que, mesmo tendo oportunidade, ela não fugiu após ter matado o marido. Também colaborou com a produção de provas.

O advogado disse ainda que não há "reiteração de conduta" em crimes passionais. O defensor de Elize explicou que o clamor popular não é aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como motivo para manter alguém preso.

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