Executiva do PT cria comissão para ouvir deputado Luiz Moura

Parlamentar participou de reunião que foi alvo de operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais em uma investigação sobre o envolvimento do PCC nos ataques a ônibus em SP

Fernando Gallo, O Estado S. Paulo

26 Maio 2014 | 16h45

SÃO PAULO - A Executiva do PT paulista decidiu criar uma comissão para ouvir o deputado estadual Luiz Moura (PT) a respeito das denúncias que envolveram seu nome na semana passada.

A comissão que analisará o caso será formada pelo presidente do PT-SP, Emídio de Souza; pelo secretário-geral do partido, Vilson Augusto; pelo líder do PT na Assembleia Legislativa, João Paulo Rillo; e pelo deputado estadual Gerson Bittencourt.

Luiz Moura participou de uma reunião que foi alvo de uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) em uma investigação sobre o envolvimento do PCC nos ataques a ônibus na capital paulista neste ano e da qual participaram pessoas com antecedentes criminais e um foragido da Justiça.

Na reunião havia 40 pessoas, algumas delas suspeitas de integrar o PCC. Várias delas foram conduzidas para uma delegacia para averiguação. Moura não estava entre elas.

O deputado nega qualquer envolvimento com o PCC e afirma que estava na reunião - uma cooperativa da qual já foi diretor - negociando o reajuste salarial dos trabalhadores justamente para evitar greves. Ele afirma que na zona leste da capital paulista, sua região de atuação, o transporte foi menos prejudicado do que nas outras com a greve da semana passada.

Moura é ligado ao secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto. Os dois fazem parte da mesma corrente no partido, a PTLM (PT de Lutas e Massas), uma das maiores da capital paulista. Na quarta-feira passada, o secretário de Comunicação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Marcio Aith, citou a reunião da qual participou Moura em entrevista ao programa do Datena, da Band.

Ele não disse quem era o parlamentar nem a qual partido ele pertencia, mas destacou a relação com Tatto. O secretário municipal disse depois que não sabia a quem Aith se referia e que só podia responder pelos seus próprios atos.

Moura exerce seu primeiro mandato de deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo. Nos anos 90 ele foi condenado pela Justiça do Paraná e também pela Justiça de Santa Catarina a cumprir 12 anos de prisão por assaltos a mão armada.

Moura passou mais de um ano e meio na prisão, mas fugiu. Foi beneficiado pela prescrição e apresentou-se depois para pedir reabilitação criminal. Declarou-se arrependido e alegou que cometeu os crimes porque usava drogas.

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