Executiva diz que membro do Conpresp recebeu propina

Em depoimento ao MP, ela afirma que Brookfield pagou R$ 200 mil para conselheiro aprovar obra no Shopping Higienópolis

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h02

Uma ex-executiva da Brookfield Gestão de Empreendimentos, empresa do grupo Brookfield, afirma que a multinacional pagou R$ 200 mil a um integrante do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico (Conpresp) para aprovar obras de ampliação no Shopping Pátio Higienópolis, na região central de São Paulo. Segundo a testemunha ouvida pelo Ministério Público Estadual (MPE), o ex-conselheiro e arquiteto Vasco de Mello recebeu propina para ajudar na tramitação do processo. Procurado pelo Estado, ele negou a acusação.

Em 2007, o Higienópolis entrou com processo no Conpresp para aprovar uma reforma com aumento de área. O trâmite era necessário porque o shopping está em área tombada e ainda faria alteração em um imóvel histórico da região.

O conselheiro escolhido para ser relator e cuidar do processo foi Mello. Na época, ele fazia parte do órgão municipal do patrimônio como representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Mesmo contra a opinião de outros conselheiros do Conpresp, Mello foi enfático na aprovação do processo, como mostram as atas do órgão. "O conselheiro relator informou que realizou vistoria técnica na área em que será executado o projeto de ampliação do shopping, por convite da Divisão de Preservação do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico) e, nesta ocasião, percebeu que a proposta apresentada não acarretaria impactos negativos no bem tombado, ao contrário, se configuraria como pano de fundo, contribuindo para destacá-lo", afirma o texto da ata da 455.ª reunião do Conpresp, realizada em 30 de março de 2009.

Na mesma reunião, o representante do DPH, órgão técnico da Secretaria de Cultura, pediu que novas informações fossem pedidas ao shopping. Outros conselheiros também queriam mais informações, mas a reforma foi para votação e o projeto foi aprovado por seis votos a dois. A data do relatório final do arquiteto Vasco de Mello coincide com a época em que a testemunha afirmou que a propina foi paga, segundo o MPE.

O arquiteto Vasco de Mello se mostrou indignado com a afirmação de que teria recebido R$ 200 mil. "Isso é um absurdo, nunca recebi nada, estaria rico se tivesse recebido", disse ele, que não faz mais parte do Conpresp. "Nunca sequer me ofereceram dinheiro, a única pessoa que conheci do shopping foi o funcionário que me acompanhou na visita técnica."

Mello também afirmou que pode processar a denunciante. "Vou processá-la, sim. E também espero que o MPE me chame para esclarecer isso, não pode ficar no ar. Não vou ter meu nome maculado." A Brookfield não foi encontrada para comentar o caso. / M.G, R.B. e R.B.

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