Execuções viram punição da justiça paralela

Cenário. Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2012 | 03h05

Desde 2006, Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande têm sido o epicentro de crimes suspeitos envolvendo morte de policiais militares e de moradores dos bairros pobres da região. Como regra, primeiramente, policiais são mortos. Em seguida, são cometidos crimes contra civis. Vizinhos e parentes das comunidades atingidas quase sempre apontam policiais mascarados como os autores.

A Baixada Santista, rodeada por morros e por comunidades de difícil acesso, é o local do Estado mais parecido com o Rio. O mesmo ocorre com a organização do tráfico local e com a violência da PM. O resultado são círculos de violência que vêm se tornando marca registrada do local.

O "mata-mata" começou em maio de 2006. Nos chamados Crimes de Maio, integrantes do PCC iniciaram atentados contra autoridades de segurança. Nos dias que se seguiram, os PMs praticaram incursões nas periferias do Estado e muitos civis morreram. Em Santos, um dos focos desses ataques, foi criado o grupo Mães de Maio. O grupo passou a lutar pela punição dos assassinos que, segundo as mães, eram PMs. A principal bandeira do grupo era a federalização dos crimes, já que a Justiça paulista, segundo elas, não se esforçou para fazer o processo andar.

Sem punições, em 2010, novamente um círculo de vinganças amedrontou os moradores da Baixada. Depois da morte do parente de um PM, uma série de 23 assassinatos aconteceu ao longo de duas semanas. Novamente, homens de moto e toucas ninja foram os autores. Nada foi feito e a situação se repetiu agora, no que parece ter se tornado a maneira privada de se fazer "justiça" e resolver conflitos na Baixada.

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