Exames inéditos revelam estatura e detalhes físicos dos personagens históricos

Três médicos diferentes analisaram 89 ossos específicos do corpo humano numa técnica chamada de levantamento antropométrico

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2013 | 12h56

SÃO PAULO - As baterias de exames pelas quais passaram d. Leopoldina, d. Pedro I e d. Amélia nas madrugadas de 20 de março, 20 de abril e 10 de agosto de 2012 permitiram aos pesquisadores descobrir as estaturas dos personagens históricos (que nunca haviam sido comprovadas cientificamente) e detalhes de sua aparência física - formando um banco de dados que permitirá novas pesquisas e deve ser estudado a fundo ao longo dos próximos meses.

Utilizando uma técnica chamada levantamento antropométrico - na qual 89 ossos específicos do corpo humano são medidos por três médicos diferentes -, os pesquisadores descobriram que d. Pedro I tinha entre 1,66 m e 1,73 m de altura, d. Leopoldina, entre 1,54m e 1,60m, e d. Amélia, de 1,60 m a 1,66 m.

Formato e constituição dos ossos também oferecem detalhes da anatomia dos imperadores. "Pelos ossos de d. Pedro, podemos afirmar que ele tinha uma estrutura forte", conclui a historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, coordenadora do estudo. "Não obesa, forte mesmo. Isso corrobora as menções que nós temos do gosto que ele tinha pelas atividades físicas em si. Era um homem que, pela estrutura, podia ser chamado de atlético. Apesar de não ter uma estatura hoje considerada alta, para a época era, sim."

Quanto a d. Leopoldina, a historiadora Valdirene avalia que a imagem consagrada pela iconografia oficial - de que ela era um tanto rechonchuda - não coincide com a verdade. "O natural dela era ser magra. A preservação da espinha nasal indica possibilidade de traços delicados", justifica. "Quando ela morreu, não podemos afirmar se era obesa ou não. Mas, pela ossatura, o normal seria que fosse uma pessoa esguia." Talvez o fato de ela ter vivido grávida na maior parte do tempo em que morou no Brasil tenha contribuído para que fosse retratada sempre como uma mulher gorda. "Com gravidezes seguidas, não tinha como manter um corpo normal. E, por ser originária de Viena, reclamava sempre do calor do Rio de Janeiro, passava mal. Isso causa inchaço."

As nove vezes em que ficou grávida nos nove anos de casamento com d. Pedro I (sete filhos e dois abortos) deixaram marcas também na boca da imperatriz Leopoldina. Exames de arcada dentária revelaram que ela tinha alguns abscessos dentários (lesões na raiz dos dentes) causados, segundo o odontolegista que participou da pesquisa, por deficiência de cálcio - sintoma comum a mulheres que têm uma gravidez seguida da outra.

D. Amélia sempre foi descrita como bela. "Era uma mulher mais ou menos forte. Não gorda, mas forte", descreve Valdirene. Ao morrer, os médicos sabem também que ela sofria de escoliose severa - que, provavelmente, prejudicava seu andar.

Dentes. Quanto aos dentes, é possível afirmar que os três integrantes da família imperial estudados tinham acesso às melhores técnicas da época. "Até comentei isso com meu dentista", diz Saldiva. "O 'tiradentes' que cuidava da família era bom..." Faltavam apenas dois dentes na boca de d. Pedro I e ele tinha duas restaurações - ainda será analisado se feitas com folhas de ouro. Os três tinham restaurações. D. Leopoldina havia perdido apenas um dente - e tinha uma restauração, que não era de ouro. D. Amélia, que morreu mais com 66 anos, havia perdido vários dentes - foi encontrada com apenas cinco, todos da arcada inferior.

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