Exame para estrangeiro demora só 15 minutos

Muitos não se preocuparam em saber sobre o resultado e já se preparam para trabalhar

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2013 | 02h09

O exame final do curso de capacitação do programa Mais Médicos, em Brasília, demorou em média 15 minutos. Profissionais que se submeteram à prova no período da manhã relataram que tudo ocorreu como o previsto.

Como o Estado apurou, na primeira parte do teste eles fizeram a simulação de um atendimento e, para concluir, redigiram um pequeno texto, com a descrição do caso para um colega fictício. A tranquilidade era tamanha que os médicos não se preocuparam nem mesmo em saber como e quando o resultado seria divulgado. "Não perguntei. Acho que eles devem ligar", afirmou Manuel Alejandro La Cruz Alvarez. Venezuelano e escalado para trabalhar em Roraima, o médico contou que o período da tarde de ontem seria usado para descansar e arrumar a mala. Sua viagem estava marcada para domingo à tarde.

No grupo ouvido pelo Estado, poucos profissionais imaginavam o risco de não atingir a média de 5 pontos. A prova de ontem valia 6 pontos. A realizada semana passada, apenas com questões escritas, valia 4. Aqueles que não atingirem a média deverão passar por "recuperação". Detalhes como o local e a duração do reforço, no entanto, não haviam sido definidos até o início da noite de ontem.

Reprovação. Apesar da falta de informações, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garantira que desde o início do Mais Médicos já estava prevista a possibilidade de um "reforço" para aqueles que não tivessem a nota adequada. "Serão três classificações: aprovado, reprovado, em recuperação", disse.

Questionado se o governo não estaria sendo muito flexível ao permitir que profissionais estrangeiros fossem dispensados de uma validação de diploma e ainda tivessem a oportunidade de fazer um curso de reforço, Padilha afirmou que a avaliação era limitada ao domínio da Língua Portuguesa. "A capacidade técnica foi avaliada ao longo das três semanas", disse. No entanto, nenhuma prova ou teste oral foi feito para os profissionais, além dos realizados ontem e na sexta da semana passada.

Blindagem. Já os médicos que passaram pelo último dia de avaliações em São Paulo foram "blindados" pelo Ministério da Saúde e proibidos de falar com a imprensa. Calados, eles saíram por volta das 12h30 da Escola Municipal de Saúde, na zona sul de São Paulo, e seguiram diretamente para um ônibus estacionado na porta da instituição.

Um assessor do ministério disse que os 54 profissionais - 34 estrangeiros - poderiam ter o rendimento prejudicado nas provas por causa do assédio. Da mesma forma, quando outro grupo chegou por volta das 14h30 para entrar na escola, o assessor insistiu que eles não iriam falar e os encaminhou diretamente do ônibus. "São orientações de Brasília."

Em Salvador, o psiquiatra argentino Pablo Federico Valiente, de 44 anos, disse ter considerado a prova "boa e adequada" para o que vai ser cobrado dele no dia a dia. Ele cuidou de um caso simulado de hipertensão.

No Rio, os estrangeiros também consideraram as avaliações bem elaboradas. Mesmo assim, a ginecologista e ecografista argentina Helga González, de 35 anos, estava confiante na permanência no País. "Fomos avaliados em tudo, desde como receber o paciente até a prescrição de medicamentos. O Brasil é muito exigente, mas acho que fui bem." / COLABORARAM MÔNICA REOLOM, ROBERTA PENNAFORT e TIAGO DÉCIMO

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