Exame mostra que é preciso democratizar o ensino médio

A publicidade dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 pelo MEC, mais uma vez, enseja debates sobre a pertinência e relevância de tal prática. Quanto à pertinência, o primeiro questionamento é sobre a elaboração de rankings, porque não seria esta a principal atribuição de um exame. Contudo, a consolidação do Enem como vestibular nacional, ainda que um processo inconcluso, inexoravelmente faz realçar sua natureza classificatória para hierarquizar candidatos e, consequentemente, suas escolas.

ANÁLISE: Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2013 | 02h11

Isso destacaria como objetivo central da escola de ensino médio a preparação para a disputa em torno de alguns cursos na educação superior, posição sustentada muitas vezes em nome do mérito. O impacto dessa posição estaria na organização do currículo em torno das matrizes do Enem e na disseminação da disputa entre os alunos em detrimento de outras alternativas.

No que tange à relevância, apesar dos aperfeiçoamentos na difusão de informações pedagógicas, os dados, por um lado, confirmam o abismo que existe entre as escolas públicas da imensa maioria dos alunos - 87% das matrículas - e as privadas. Por outro lado, paradoxalmente, esta é uma verdade na média, pois, quando estudamos a distribuição das notas das escolas, mais da metade das escolas privadas tem um desempenho médio abaixo de 560 pontos, o que corresponde ao desempenho de até 98% das escolas públicas. Ou seja, no afã de propalar a superioridade de um tipo de escola, esconde-se que isso é só meia verdade.

O que nos leva a ponderar que, se o Enem não democratiza o acesso à educação superior, este exame revela a necessidade de se democratizar o ensino médio, compreendendo esta tarefa com a da elevação dos patamares de aprendizagem de nossa juventude, em várias dimensões.

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