Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Ex-voluntária desvia doações

Ela passou a arrecadar para si o dinheiro que iria para crianças com deficiência mental

Plinio Delphino, O Estado de S.Paulo

25 Março 2011 | 00h00

Crianças e jovens com deficiência mental, vítimas de abandono e de maus-tratos, encontraram no Centro Organizado de Tratamento Intensivo à Criança (Cotic), em São Paulo, a última parada de esperança. Mas parte do dinheiro de doações recebidas pela entidade estava sendo desviada há cerca de dois anos. Uma ex-voluntária da instituição passou a arrecadar para si mesma e pode ter desviado mais de R$ 100 mil.

O dinheiro que seria destinado para a compra de latas de leite especial (R$ 220) para uma criança de 8 meses, oxigênio (R$ 4 mil) e medicamentos, serviu para a dona de casa Maria Aparecida Molina da Costa, de 45 anos, gastar em um bar no bairro da Mooca, lanchonetes, lojas de roupa e supermercados.

Presa em flagrante ontem, em Ermelino Matarazzo, zona leste, ela levou um sermão dos policiais da Delegacia de Roubos Especiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). "Não tem vergonha na cara?", indagavam os investigadores, indignados, segundo a própria dona da entidade, Maria Margarida de Melo, de 63 anos, que acompanhou de perto a abordagem. Com a acusada, a polícia encontrou mil fichas de cadastro de colaboradores.

O motoboy Roberto José de Sena, de 52 anos, responsável por receber o dinheiro dos doadores, também foi preso em flagrante, quando pegava dinheiro de uma mulher na porta do Tribunal de Contas do Município, no Ibirapuera, zona sul da capital.

Segundo o delegado Walter Ferrari, várias pessoas eram colaboradoras da entidade. Uma delas queria doar um valor mensal maior (de R$ 500). "Ela procurou a Cotic para saber em que conta bancária poderia depositar o dinheiro. A dona da entidade disse que não recebia doações daquela colaboradora havia dois anos. E era verdade, pois a doadora estava entregando dinheiro a uma falsária", contou.

Inconformada, a colaboradora procurou a polícia e marcou encontro para entregar o dinheiro aos golpistas. Os investigadores esperaram Roberto José dar o recibo e pegar o dinheiro e o prenderam. Ele delatou Maria Aparecida. A mulher, que tem três filhos, confessou o crime, segundo a polícia. "Ela trabalhou conosco há cinco anos. Quando implementamos um sistema online de cadastro de doadores, com acesso por senhas individuais, ela se desligou da Cotic", disse Margarida.

A casa na Rua do Horto, 805, cuida de 59 deficientes, com idades entre 8 meses e 24 anos. O custo com cada um é de R$ 1.850. A polícia encontrou recibos com Maria que podem ser de fraude contra uma ONG que cuida de cegos.

PRESTE ATENÇÃO

1.Cheque sempre a instituição para a qual quer doar. Vá pessoalmente ao endereço, converse com o proprietário e conheça o trabalho feito pela organização.

2.Mantenha contato com o responsável e saiba quem está autorizado a receber as doações pela casa.

3.Cheque regularmente se o dinheiro doado está sendo bem empregado pela organização.

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