HÉLVIO ROMERO/AE
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Ex-testemunha de Lindemberg Alves matou a ex-mulher e está na cadeia

Robson Muriel dos Santos, colega de trabalho e de futebol do acusado de matar Eloá Pimentel, cometeu o crime em 2011, na frente do filho do casal

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 19h14

Atualizado às 6h (13/02/2012)

Ele ajudou nas negociações. Era colega de trabalho de Lindemberg Alves, de 25 anos, que nesta segunda-feira, 13, começa a ser julgado pela morte da ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15. O réu e Robson Muriel dos Santos jogavam futebol juntos toda semana. O amigo chegou a ser arrolado como testemunha de defesa na última audiência, ano passado, mas hoje está preso por homicídio.

Exatos três anos após o crime que parou o País, o motoboy Robson, de 26 anos, invadiu a casa da ex-mulher, em outubro de 2011, e a manteve refém no quarto com o argumento de que só queria conversar. Assim como ocorreu com Eloá, os parentes da vítima tentaram convencer Santos a mudar de ideia e libertar a ex. As negociações não avançaram. Na mesma noite, ele a matou com facadas no pescoço.

Tudo na frente do filho de 3 anos, no imóvel da família, no Jardim Ipanema, em Santo André. E aparentemente pelo mesmo motivo: o motoboy não se conformava com a separação. Na noite do crime, ele e Beatriz da Silva Costa, de 19 anos, estavam separados havia seis meses. A vítima já tinha relatado que sofria agressões e ameaças de morte à polícia. Após instauração de inquérito e denúncia à Justiça, Santos foi proibido de se aproximar da ex-mulher.

O caso é conhecido da promotora de Justiça Daniela Hashimoto, que a partir de hoje sustenta a tese de que Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá já com a intenção de matar. "Ele fez exatamente a mesma coisa. Há relatos, inclusive, de que na cadeia o Robson chegou a dizer que era dessa forma (matando) que eles (os amigos) resolviam as coisas", conta.

Em entrevista ao Estado, em 20 de outubro de 2008, dois dias após a morte de Eloá ser confirmada, Santos afirmou que Lindemberg havia cometido uma "loucura". Hoje, aguarda por julgamento e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão, pelo mesmo crime cometido pelo amigo. A reportagem tentou falar com seu advogado, mas não conseguiu.

Julgamento. Mas esse desdobramento tem pouca chance de ser mencionado no júri que começa hoje, às 9 horas, no Fórum de Santo André. Após ouvir o depoimento de até 19 testemunhas – 5 de acusação e 14 de defesa –, sete jurados decidirão se o réu é ou não culpado por homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, disparo de arma de fogo e cárcere privado.

A expectativa é de que o resultado saia até quarta-feira, 15, quando a dúvida sobre a fala de Lindemberg também será sanada. Até hoje, o réu não se defendeu. E haverá outras incertezas. Não sobre a autoria dos disparos que mataram Eloá – as balas partiram da arma do acusado –, mas sobre a atuação da polícia. Para a defesa especialmente, culpar o fracasso das negociações e a invasão do apartamento pela tragédia podem reduzir a pena de Lindemberg. Já para as famílias das vítimas, essa tese pode favorecer uma indenização do Estado. Juntas, elas pedem R$ 3 milhões.

 

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