Ex-secretário volta à Câmara e decide voto

Considerado ficha-suja pela Justiça, por ter sido condenado por improbidade, ele substituiu colega que havia sido contra o aumento

Adriana Ferraz e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2013 | 02h00

Afastado do governo de Fernando Haddad por decisão judicial, Ricardo Teixeira (PV) deixou o cargo de secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, assumiu nessa terça-feira, 29, sua vaga de vereador e sacramentou a aprovação do reajuste do IPTU em São Paulo.

Considerado ficha-suja pela Justiça, por ter sido condenado por improbidade administrativa em segunda instância, ele substituiu seu colega Abou Anni (PV), que na semana passada foi contra o aumento. Com a participação de Teixeira, a oposição perdeu um representante e a situação ganhou um voto no placar final.

Líder do governo na Casa, Arselino Tatto (PT) negou que o voto de Teixeira tenha sido fundamental para a vitória. "Teríamos vencido de toda forma", afirmou. Segundo ele, a vitória é resultado de um "amplo debate", que durou seis horas no plenário. Com medo da reação de seus eleitores, parte da bancada do PSD mudou de lado ontem. Diferentemente da posição que assumiram na semana passada, os vereadores Coronel Camilo, Edir Salles, Goulart e Marta Costa resolveram votar contra a proposta de alta, assumindo o risco de perder influência na gestão Haddad. Outros três representantes do partido criado pelo ex-prefeito Gilberto Kassab mantiveram voto contra o governo: José Police Neto, Marco Aurélio Cunha e David Soares. Somente Souza Santos foi favorável.

A debandada do PSD foi compensada pelos votos de governistas que estiveram ausentes na votação da semana passada: Wadih Mutran (PP) ignorou a conjuntivite e apertou "sim" usando óculos escuros. O pastor Edemilson, do mesmo partido, voltou de licença médica só para ajudar Haddad. George Hato (PMDB) também apareceu ontem para garantir o reajuste. Entre os demais partidos, a principal surpresa foi o voto contrário de Ota, do recém-criado PROS. O parlamentar mudou de ideia com receio do eleitorado de classe média, mais afetado pelo aumento. 

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