Ex-secretário de Marta é condenado por fechar rua

Quando chefiou pasta do Verde e Meio Ambiente, Adriano Diogo permitiu obra que anexou Parque do Ibirapuera a praça

BRENO LEMOS PIRES , LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

21 Março 2013 | 02h04

O deputado estadual Adriano Diogo (PT), ex-secretário do Verde e Meio Ambiente de Marta Suplicy (2001-2004) na Prefeitura de São Paulo, foi condenado por improbidade administrativa por permitir o fechamento de alça de acesso entre as Avenidas Pedro Álvares Cabral e IV Centenário, na zona sul, em 2003, o que teria criado "condomínio fechado com espaço público", segundo a Promotoria de Habitação e Urbanismo do Estado.

A obra anexou ao Parque do Ibirapuera a Praça Maria Helena de Barros Saad, sem autorização dos órgãos do patrimônio ou do trânsito, segundo decisão da juíza Liliane Keiko Yoki, da 3.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, "gerando privilégio indevido aos moradores do entorno da área irregularmente fechada".

O parlamentar foi condenado à suspensão dos direitos políticos por três anos e ao pagamento de multa no valor de 50 vezes a sua remuneração como secretário municipal. Ele disse que vai recorrer da decisão.

O promotor José Carlos de Freitas instaurou ação, em 2007, contra o Município e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para a reabertura da via, que resultou em um acordo para restabelecer a ligação. A Sociedade dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia tenta anular essa conciliação e conseguiu no Tribunal de Justiça liminar para manter o parque como está hoje.

Diogo afirmou que fez o fechamento da alça para recuperar o parque. "Essa ligação propiciou a criação de uma zona de prostituição no Ibirapuera." Segundo ele, a via não estava prevista no planejamento original do parque e prejudicou a conservação do espaço. "A ruazinha é que era ilegal. Se a alça continuasse aberta, o parque estaria devastado."

O delegado aposentado Nazareth Kechichian Neto é um dos que se sentem prejudicados. Ele fez a denúncia ao Ministério Público e espera a reabertura da via. Morador de Moema, Kechichian Neto disse que o trânsito piorou e os únicos beneficiados são os moradores do Jardim Lusitânia. "Fecharam a via como se fosse particular." O advogado da associação dos moradores do Jardin Lusitânia, Marcus Vinicius Gramegna, argumentou que a Praça Maria Saad, no passado, era anexa ao parque. "O fechamento da alça corrigiu um erro."

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