Ex-presidiário acha filhos pela internet

Adotados por americanos 15 anos atrás, eles foram localizados no Facebook; homem aprendeu a ler para ajudar na busca

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h44

O ex-presidiário Donizeti Pascoal, de 43 anos, morador de Sorocaba, localizou seus três filhos, adotados há 15 anos por um casal americano, por meio do Facebook. Após sair da prisão, em 2004, ele iniciou um curso de alfabetização de adultos para aprender a ler, o que facilitaria a busca pelas crianças.

Uma carta à sua professora pedindo ajuda foi o caminho para descobrir o paradeiro dos filhos biológicos. Agora, Pascoal tenta vê-los pessoalmente.

O homem, que hoje fabrica e vende cocadas em Sorocaba, participou de um roubo e foi preso na década de 1990. Os três filhos eram pequenos. Ele e a mãe das crianças eram alcoólatras. A família morava em uma favela e não tardou para que as crianças ficassem em situação de abandono e fossem levadas pelo Conselho Tutelar a um abrigo.

"Minha mãe queria ficar com as crianças, mas minha mulher na época não permitiu", lembra. Chaira Cristina, na época com 5 anos, Jônatas, com 3, e Naiara, com 2, foram adotados pelos americanos.

Pascoal diz que, quando saiu da prisão, sem perspectiva de encontrar os filhos, voltou a beber e passou a viver na rua. Sua vida ganhou novo rumo quando conheceu a atual mulher, Luzia, há três anos.

Ela o incentivou a aprender a ler e, há um mês, a professora Tânia Aparecida Dias da Silva deu aos alunos a tarefa de escrever uma carta sobre tema livre. O ex-presidiário relatou seu drama. Com a ajuda de Tânia, ele localizou o perfil de Chaira na rede social.

"Eu tinha uma foto dela pequena e, quando vi na internet, não tive dúvida de que era ela." Chaira é formada, mora sozinha e respondeu às mensagens em português. Na semana passada, se falaram por telefone. Pascoal conversou também com Jônatas, hoje com 18 anos, e Naiara, de 17. Ambos são universitários, moram com a família adotiva e falam mal português.

"Minha filha disse que a vida toda esperou pelo meu contato", disse Pascoal.

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