Polícias Civil/Divulgação
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Ex-prefeito é preso recebendo propina na prefeitura de Araçariguama

Segundo a polícia, Carlos Aymar, que é casado com a prefeita da cidade, Lili Aymar, estaria cobrando propina para aprovação de projeto de casas populares de uma cooperativa habitacional

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 09h48
Atualizado 15 de outubro de 2019 | 16h20

SOROCABA - O ex-prefeito de Araçariguama, Carlos Aymar, foi preso em flagrante na tarde desta segunda-feira, 14, acusado de receber propina, no interior do prédio da prefeitura da cidade. Aymar é casado com a prefeita do município, Lili Aymar (PDT). O secretário de governo Israel Pereira da Silva também foi preso. Segundo a Polícia Civil, os dois estariam cobrando o pagamento de R$ 2 milhões para a aprovação de um projeto de casas populares de uma cooperativa habitacional.

De acordo com o delegado seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel, o flagrante foi dado logo após o político ter recebido de um empresário cerca de R$ 15 mil dados como sinal do pagamento da propina. O dinheiro, em notas de R$ 50 e R$ 100, foi encontrado em um armário na sala em que o ex-prefeito se encontrava, na prefeitura - as cédulas tinham sido copiadas pela investigação. As investigações tinham se iniciado havia cinco meses e a Justiça de São Roque já havia determinado a prisão temporária dos suspeitos, caso não houvesse o flagrante.

Aymar e o secretário foram levados para a delegacia seccional de Sorocaba e permaneceram presos. Nesta terça-feira, 15, eles serão apresentados à Justiça, em audiência de custódia. Os dois responderão pelos crimes de associação criminosa e concussão - quando o ocupante de função pública exige algum benefício ilegal. A pena prevista vai de 2 a 8 anos de prisão. A defesa dos acusados informou que só vai se manifestar depois de conhecer todo o teor da acusação.

Aymar governou a cidade em dois mandatos, entre 2000 e 2008. Em junho de 2013, ele foi detido durante uma operação realizada pela Polícia Civil para apurar fraudes na prefeitura de Mairinque, envolvendo políticos, funcionários públicos e empresários. Na época, Aymar ocupava cargo nessa prefeitura. Na ocasião, ele negou as acusações e o caso foi arquivado.

Até o início da noite desta segunda-feira, 14, a prefeitura de Araçariguama não tinha se manifestado sobre a prisão do secretário e do ex-prefeito, acontecidas no interior do prédio. Oficialmente, Aymar não exerce cargo na municipalidade.

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