Ex-porteiro diz que matou ministro porque foi destratado

Ex-empregado do prédio onde moravam casal Villela e empregada confessou crime e diz que não houve mandante

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

Após 14 meses de versões desencontradas, a Polícia Civil de Brasília apresentou ontem à imprensa aquele que acredita ser o assassino do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral José Guilherme Villela, de sua mulher, Maria, e da empregada do casal, Francisca Nascimento. Preso em Montalvânia (MG), Leonardo Campos Alves, de 44 anos, ex-porteiro do prédio onde vivia o casal, confessou ter cometido o triplo homicídio para roubar e por estar revoltado "por ter sido destratado" pelo ex-ministro, que lhe teria negado ajuda para conseguir emprego.

Os três foram mortos em 28 de agosto de 2009 com 73 facadas. Alves disse que teve um parceiro no crime, Paulo Mota Cardoso, de 23 anos, sobrinho de sua ex-mulher, mas negou que haja um mandante. "Estava indignado com a desfeita dele e passando por problemas financeiros. Ele me disse que, se fosse arrumar trabalho para todo desempregado do prédio, teria de abrir uma agência e me mandou embora." O ex-porteiro - que havia perdido o trabalho três meses antes do crime - alegou que usou violência excessiva "não por raiva, mas por medo". Segundo ele, "o plano inicial era só roubar, mas acabamos matando com medo de sermos reconhecidos".

Conhecedor dos hábitos da família por ter trabalhado no prédio por 15 anos, Alves deu detalhes de como entrou no prédio, subiu ao 6.º andar e esperou que as vítimas chegassem, escondido atrás de uma pilastra.

Segundo ele, o primeiro a morrer foi Villela. "Ele abriu a porta por volta das 19h e nós o empurramos com força para dentro." O ex-ministro teria ficado desacordado na queda. "Fechamos a porta e pegamos duas facas na cozinha. Dei a primeira facada pelas costas, depois meu colega conferiu se ele estava vivo e demos mais golpes." Depois Maria teria sido morta. Ela ainda teria oferecido dinheiro e joias. Alves disse que recebeu US$ 27 mil e joias, vendidas por R$ 9 mil. "Ela perguntou se eu queria mais, mas disse que bastava. Mandei que ela deitasse no chão e a golpeamos". Por último chegou Francisca. "Tivemos de matá-la para não nos delatar."

O diretor-geral da Polícia Civil, delegado Pedro Cardoso, considerou a confissão compatível com a cena do crime e as provas, mas não descarta o envolvimento de uma terceira pessoa. Disse que não vai excluir a filha do casal, Adriana Villela, do rol de suspeitos.

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