Ex-Polegar é preso por tentativa de seqüestro no centro de SP

Rafael Ilha é acusado de tentar levar à força uma mulher para sua clínica de reabilitação; mais dois são presos

Ricardo Valota, do estadão.com.br,

02 de julho de 2008 | 01h56

O ex-Polegar Rafael Ilha Alves Pereira, de 35 anos, foi preso em flagrante, na noite desta terça-feira, 2, na Bela Vista, região central da cidade, sob suspeita de tentar levar uma mulher à força para a Clínica Terapêutica Ressurreição, de reabilitação de dependentes químicos, que mantém em Embu-Guaçu, na região metropolitana de São Paulo. A estudante de Direito Karina de Souza Costa, de 28 anos, conta que estava na academia, quando, pouco depois das 19 horas, recebeu um telefonema do ex-marido, o contador Pedro José de Santana Vaz, de 36 anos, que está em Macapá (AP), cidade natal dele. "Ele pediu para passar no prédio dele e pegar o dinheiro com o porteiro para a escola das crianças, que teria de ser paga até amanhã (esta quarta-feira)." Em vez do dinheiro da mensalidade da escola, Karina teria encontrado Rafael Ilha, por volta das 19h30, quando saía do prédio de número 1218 da Rua Maestro Cardim, onde mora Vaz. Ilha e dois supostos funcionários da clínica, um homem e uma mulher, teriam tentado colocar a estudante à força dentro de uma Hilux prata, que seria do cantor. Pessoas que passavam pela rua estranharam a movimentação e ouviram os gritos de socorro da moça, que se debatia, tentando se desvencilhar do trio. Pelo menos três pessoas tentaram interferir e a polícia foi chamada. "Falavam que ela estava drogada, mas ela não parece drogada. Conseguimos salvá-la", diz o agente de viagens Ricardo Guimarães de Oliveira, de 42 anos. Na delegacia, Rafael Ilha contou que havia recebido um telefonema de Pedro Vaz, solicitando uma internação para a ex-mulher, que seria usuária de drogas e agrediria os filhos do casal, de 3 e 7 anos. Vaz, segundo Karina, esteve internado em uma das duas clínicas do cantor entre janeiro e março do ano passado. Ela nega usar drogas e acredita que a intenção é prejudicá-la no processo de separação, na concessão da guarda das crianças, que estariam com a família dele em Macapá desde a semana passada. No carro de Ilha, foram encontradas faixas de quimono que seriam usadas para amarrar a mulher, sedativos, um algodão embebido em éter e uma injeção já preparada com Dormonid e Fenergan, substâncias sedativa e antialérgica, respectivamente. Também havia um documento de solicitação de internação e termo de responsabilidade, pedido por Pedro Vaz para Karina Costa, datado de 1º de julho de 2008 e assinado por Neusa Camargo Antunes, de 43 anos, que seria enfermeira da clínica. Ela também foi detida. Além do ex-polegar e de Neusa, foi levado ao 5º Distrito Policial (Aclimação) Cristiano da Silva Eandrade, de 25, que também seria funcionário da clínica. Os três foram indiciados por tentativa de seqüestro e formação de quadrilha. Segundo testemunhas, Ilha usava uma camisa do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), com seu nome e tipo sangüíneo, e teria se apresentado como policial. Por isso, responderá também por usurpação de função pública. O ex-marido de Karina, Pedro Vaz, também será indiciado por tentativa de seqüestro e formação de quadrilha, segundo o delegado Diogo Dias Zamut Júnior. Ainda de acordo com o delegado, esse tipo de intervenção tem de ser feita com autorização da família, que no caso de Karina mora em Belém (PA), e com laudo de psiquiatra, caso contrário se caracteriza como seqüestro. "O Rafael disse que não é algo comum, mas não está sabendo se explicar. Só tinha os dados dela que foram fornecidos pelo telefone, como nome e endereço. Ele diz que é vítima, que é uma armação. Ao que tudo indica, ele (o ex-marido) fez isso no intuito de prejudicá-la." No final da madrugada, Karina foi até o Instituto Médico-Legal Central, em Pinheiros, na zona oeste, para se submeter ao exame toxicológico para comprovar que não usa drogas. Ela, que ficou com marcas no braço, também passou por exame de corpo de delito. Os detidos também foram encaminhados ao IML para exames de corpo de delito e toxicológico e devem ser encaminhados a Centros de Detenção Provisória (CDPs). Histórico Em setembro de 1998, Rafael Ilha foi preso na zona sul por roubar um vale-transporte e R$ 1. Em março de 1999, foi parar no 15º Distrito Policial, do Itaim Bibi, por direção perigosa. Um mês depois foi preso novamente por estar dirigindo um carro sem documento. Dentro do carro havia um saquinho plástico com cocaína. Em agosto de 2000, voltou a ser detido, por porte de dois papelotes de cocaína e foi liberado após pagar fiança. Em abril de 2005, ele foi preso por porte ilegal de armas em Itapecerica da Serra. Em janeiro de 2006, foi preso por um roubo contra um policial militar na saída de um banco, em 3 de setembro de 1998, mas conseguiu um alvará de soltura e saiu do Centro de Detenção Provisória no mesmo dia. Em setembro de 2007, se envolveu em uma briga após perseguir um ex-interno de uma de suas clínicas. Na ocasião - em que a ocorrência foi registrada, no 40º DP, como lesão corporal e ninguém foi preso - Ilha informou à polícia ter sido agredido pelo paciente, após tentar convencê-lo a retornar à clínica. Além da unidade em Embu-Guaçu, Ilha tem uma outra clínica em Itapecerica da Serra, ambos municípios da Grande São Paulo.

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