Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Ex-PM e GCM são absolvidos de maior chacina da história de SP

Presos há mais de cinco anos por suspeita de participação em ataques em Osasco e Baruri, o ex-PM Victor Cristilder e o GCM Sérgio Manhanhã foram inocentados em novo julgamento

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 15h42
Atualizado 26 de fevereiro de 2021 | 17h34

SÃO PAULO - Em novo julgamento, o Tribunal do Júri absolveu nesta sexta-feira, 26, o ex-cabo da Polícia Militar Victor Cristilder e o guarda-civil Sérgio Manhanhã, que eram acusados de participar da maior chacina da história de São Paulo. O massacre, ocorrido em agosto de 2015, terminou com 17 mortos e sete feridos em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo.

Cristilter e Manhanhã, que sempre alegaram inocência, eram apontados como partícipes da série de ataques. Para o Ministério Público (MPE-SP), responsável pela acusação, eles teriam se juntado a outras pessoas para formar uma milícia e vingar a morte de um PM e GCM dias antes da chacina. Nenhuma das vítimas do massacre tinha relação com os assassinatos dos agentes de segurança.

Levados a julgamento anteriormente, em 2017 e 2018, Manhanhã e Cristilder chegaram a ser condenados pelos homicídios, com penas que somavam mais de 220 anos de prisão. Após recurso da defesa, no entanto, a 7ª Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) anulou as sentenças em 2019 e mandou refazer o júri popular. Por unanimidade, os desembargadores entenderam que as condenações contrariavam as provas dos autos.

Contra os dois, a principal prova era uma troca de “joinhas” no WhatsApp em horários que coincidem com o início e o fim da chacina. Para a promotoria, trata-se de sinais de ordem para os ataques. Já a defesa alegou no processo a conversa, por meio de figurinhas, era sobre o empréstimo de um livro de Direito.

Iniciado nesta semana, o segundo julgamento durou cinco dias e foi presidido pela juíza Élia Kinosita, do Fórum Criminal de Osasco, a mesma dos júris anteriores. Desta vez, entretanto, o Conselho de Sentença, formado por quatro mulheres e três homens, entendeu que não havia prova suficiente para condená-los e consideraram Cristilder e Manhanhã inocentes. 

Os dois foram mantidos em prisão preventiva desde o ano do massacre. Após ficar no Presídio Militar Romão Gomes, Cristilder havia sido recentemente transferido para Centro de Detenção Provisória 3 de Pinheiros. Já Manhanhã estava detido em Tremembé.

Com a decisão do Conselho de Sentença, a juíza mandou expedir o alvará de soltura dos dois que, no entanto, ainda devem voltar às unidades prisionais antes de ir para casa. "Realizado hoje o novo julgamento, decidiram os senhores jurados pela absolvição dos réus Victor Cristilder Silva dos Santos e Sérgio Manhanhã da acusação de estarem em curso nos crimes inicialmente descritos", leu no plenário. 

Em 2020, Cristilder respondeu, ainda, por mortes em Carapicuíba, na Grande São Paulo, ocorridas no episódio conhecido como "pré-chacina". Ele também foi inocentado neste caso.

Apenas duas pessoas seguem detidas pela chacina. São eles o ex-soldados da Rota Fabrício Eleutério (255 anos, 7 meses e 10 dias) e da Força Tática do 42.° Batalhão Thiago Heinklain (247 anos, 7 meses e 10 dias). Ambos tiveram a sentença confirmada em segunda instância, mas alegam inocência

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