Ex-namorado premeditou morte de Mércia, diz polícia

O policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza matou a advogada Mércia Mikie Nakashima, sua ex-namorada, por achar que era traído. Ele ainda premeditou o crime, segundo afirmou ontem o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marco Antônio Desgualdo. No crime, Souza contou com a ajuda do amigo, o vigia Evandro Bezerra da Silva. Detido em Sergipe na sexta, o vigilante foi indiciado por homicídio.

Elvis Pereira e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

O ex-PM está foragido desde sábado e deverá ser indiciado. O Ministério Público pediu ontem à Justiça a conversão da prisão temporária de Souza em preventiva. "O inquérito está perfeito, substancioso. Há prova testemunhal e objetiva", afirmou Desgualdo. "O crime foi premeditado." A polícia afirma que Souza planejava o assassinato desde o início de maio. Anunciara a Silva que a mataria por ser se sentir humilhado e rejeitado por ela.

Nos dias 21 e 22 de maio, Mércia e Souza foram ao cinema e jantaram. E combinaram de se ver novamente no domingo, 23 de maio. Naquele dia, pouco antes do meio-dia, o vigia e o ex-PM se encontraram numa feira em Guarulhos, na Grande São Paulo. Passaram cerca de 20 minutos juntos. Por volta das 14h30, Souza ligou para Mércia, que não atendeu o celular. A advogada não foi mais vista depois deste dia.

Juntos, o vigia e o ex-PM passaram na frente do prédio da advogada. Também vigiaram a casa do pai dela e a da avó, onde estiveram às 17h17. Souza decidiu ir para a casa dele, onde ficou por três minutos. Saiu e seguiu para o Hospital Geral de Guarulhos, onde, às 18h37, estacionou o seu carro. Ali, teria dito para o vigia ir embora e, às 21 horas, buscá-lo na represa de Nazaré Paulista, no interior paulista, onde o corpo de Mércia foi encontrado. A polícia chegou aos horários analisando os dados do GPS do carro do ex-policial.

No horário combinado, o vigia encontrou o amigo na estrada próxima da represa. "Ele (Souza) entrou no carro e disse: "já era, já era"", afirmou o delegado Antonio de Olim, responsável pela investigação do caso.

O advogado de Souza, Samir Haddad, afirmou que seu cliente não se apresentará. Ele disse que vai pedir um habeas corpus para o ex-PM. O advogado José Carlos da Silva, defensor do vigia, não atendeu a reportagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.