Claudinei Ligieri/Futura Press
Claudinei Ligieri/Futura Press

Ex-médico que esquartejou amante é encontrado morto

Segundo a polícia, Farah Jorge Farah cometeu suicídio pouco antes da chegada de agentes que iriam prendê-lo; ele usava roupa feminina

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2017 | 14h12
Atualizado 22 Setembro 2017 | 21h43

SÃO PAULO - Condenado por matar e esquartejar sua amante em 2003, o ex-médico Farah Jorge Farah, de 67 anos, foi encontrado morto nesta sexta-feira, 22, em sua casa, um sobrado na Vila Mariana, zona sul da cidade, por policiais que cumpririam seu mandado de prisão, expedido na quinta-feira pela Justiça. Segundo a Polícia Civil, ele cometeu suicídio pouco antes da chegada dos agentes que iriam prendê-lo. 

O corpo de Farah foi encontrado vestido com calça e blusa de mulher, ao redor de sangue. Os policiais notaram próteses de silicone nos seios. No quarto, havia um aparelho de som tocando música clássica. Ele tinha um corte na artéria femoral – para a polícia, ele mesmo teria feito o corte, com um bisturi. 

Os policiais se dirigiram à casa do ex-médico por volta das 6 horas, segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que descreveu a forma como o corpo foi encontrado. 

O delegado disse acreditar que o médico havia feito o corte na perna instantes antes de o chaveiro chamado pelos policiais abrir a fechadura da casa, o que ocorreu apenas às 13h30. 

“Tivemos toda a paciência. Ele não respondia, mas deu para ver vultos andando pela casa.” Quando a porta se abriu e o delegado entrou no imóvel, a surpresa. “Não fiz nada. Só chamei a perícia”, disse Gonçalves. 

O mandado de prisão era uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Farah havia sido condenado em 2014 a 14 anos e oito meses de prisão, mas, desde 2007, graças a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ele havia obtido o direito de aguardar o trânsito em julgado (quando não há mais chances de recurso). 

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O criminalista Roberto Podval, advogado de Farah, disse que a família não faria comentários sobre o caso. Prisão. Na casa de Farah havia uma série de folhetos de propaganda saindo da caixa do correio, espalhados pelo pequeno corredor na entrada. Dentro do imóvel, caixas, roupas e muita bagunça. “Ele virou um acumulador”, disse Gonçalves. 

Uma vizinha que pediu para não ser identificada contou que, na última madrugada, por volta das 4 horas, pôde ouvir o caminhar de Farah pela casa. “Como ele tinha a muleta, dava para ouvi-lo subindo e descendo as escadas. Fez isso mais de uma vez”, disse, ressaltando que a atitude era atípica. “Ele devia estar ansioso. Eu não sabia que tinha saído a prisão.” 

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A moradora, que disse ser vizinha do ex-médico há dez anos, conta que sua transformação começou no ano passado. “Uma vez, ele passou aqui na porta e eu notei que ele estava de sutiã. Falei, ‘gente, o homem está de sutiã’. Depois, outra vizinha disse que ele tinha colocado peito”, conta.

Ela afirmou que o médico era um vizinho sociável, pois “sempre dava bom dia, boa tarde”. “Eu só soube desse passado (o assassinato) muito tempo depois dele ter se mudado. Uma única vez, há muitos anos, conversamos sobre isso. Ele disse que só Deus sabia o que tinha acontecido.” Na época do crime, o ex-médico era fiel da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 

Cirurgião plástico, Farah foi condenado pelo Tribunal de Justiça pelo assassinato da paciente Maria do Carmo Alves, que, para o Ministério Público, era sua amante. Na época da morte, Maria tinha 46 anos e era dona de casa.

Os dois se conheceram em sua clínica, em Santana, zona norte da cidade. Foi nessa clínica que, em 2003, o médico dopou, matou e esquartejou a vítima. Depois, colocou as partes do corpo em cinco sacos de lixo pretos e os deixou no porta-malas de seu carro, onde foram encontrados pela polícia. Farah confessou o crime a parentes. 

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