Ex-marido mata juíza dentro de fórum

Acusado de crime em MT ficou inconformado com a separação; ele entrou no gabinete dela, atirou após discussão e fugiu a pé

FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA O ESTADO, CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2013 | 02h03

A juíza Glauciane Chaves de Melo foi morta a tiros dentro do Fórum da Comarca de Alto Taquari, a 479 km de Cuiabá (MT), às 11 horas de ontem. Segundo a Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o principal suspeito é o ex-marido dela, Evanderly de Oliveira Lima.

De acordo com testemunhas, o ex-marido entrou no gabinete da magistrada, ao qual tinha livre acesso. Eles teriam discutido e logo depois foram ouvidos os disparos. O acusado fugiu do local a pé. A juíza chegou a ser socorrida e encaminhada a um hospital da cidade, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O segurança do fórum perseguiu o acusado e fez alguns disparos na direção dele. Mas Lima se escondeu, entrando em um matagal. O ex-marido trabalha como enfermeiro do Hospital Municipal de Alto Taquari. Ele não teria se conformado com a separação.

O contrato de união estável firmado entre o casal foi dissolvido em 21 de janeiro de 2013, mas eles estavam separados desde 10 de dezembro de 2012. O casal não tinha filhos.

O presidente do TJMT, desembargador Orlando Perri, viajou para Alto Taquari para acompanhar de perto as investigações. Antes da viagem, o desembargador decretou luto oficial em todo o Poder Judiciário por três dias.

Comoção. Glauciane morava em Belo Horizonte (MG) até tomar posse como juíza em Mato Grosso, em 15 de junho de 2012. Classificada no concurso público, ela escolheu a Comarca de Alto Taquari para atuar. Na ocasião ela informou que fez a escolha levando em consideração ser uma comarca tranquila, com um bom número de servidores.

A Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam) em nota lamentou o assassinato. O presidente da entidade, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, designou que o juiz José Arimatea Neves Costa, que é membro do Departamento de Defesa de Prerrogativas da Amam, acompanhe o caso.

O corpo da magistrada foi levado para Cuiabá para exame de necropsia ontem à noite. O velório será realizado hoje, no Plenário 1 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Após o velório, o corpo será levado a Conselheiro Lafayete, cidade mineira onde a magistrada nasceu, para ser enterrado.

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso pediu urgência nas investigações e na prisão do assassino. "Estamos adotando todas as providências para que a família tenha toda a assistência necessária neste momento difícil e também com relação ao acusado, para que ele seja levado às barras da Justiça." Ele disse que "não apenas o Poder Judiciário, mas toda a sociedade mato-grossense está comovida com a perda da jovem magistrada".

Arma. Até a noite de ontem, o acusado da morte da juíza não havia sido preso. O revólver usado para o crime foi encontrado pela Polícia Civil em um gramado na frente do fórum.

Além das barreiras que foram colocadas nas rodovias BR 364 e 163, principais saídas do Estado, a Polícia Rodoviária Federal informou ainda que as características do acuado foram repassadas aos postos localizados nas duas estradas.

O corregedor-geral de Justiça, desembargador Sebastião de Moraes Filho, disse estar horrorizado com a perda trágica da magistrada. "Sinceramente nós estamos chocados com a violência que está imperando neste País", afirmou.

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