Polícia Civil
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Ex-marido é principal suspeito de mandar executar corretora no Rio

Justiça decretou prisão de homem e do primo desse suspeito apontados como autores do assassinato. Crime teria sido motivado por divórcio litigioso. Filho da vítima disse que 'papai mandou matar mamãe'

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 17h37
Atualizado 22 Agosto 2018 | 13h43

RIO -  A Polícia Civil do Rio concluiu que a corretora de imóveis Karina Garofalo Pereira, de 44 anos, assassinada nesta quarta-feira na Barra da Tijuca, zona oeste carioca, foi morta a mando do ex-marido, Pedro Paulo Barros Júnior, de 47 anos. Ela voltava para casa ao lado do filho de 13 anos, após almoçar em um shopping, quando um homem encapuzado e armado atirou e fugiu em um carro. O crime, segundo a Polícia, foi cometido por um primo de Pereira Júnior, Paulo Maurício Barros Pereira.

Os dois suspeitos tiveram a prisão temporária, por 30 dias, decretada nesta quinta pela Justiça. Até o início da noite, não havia informação sobre as prisões. Policiais passaram o dia nas ruas, tentando prender a dupla.

A Delegacia de Homicídios (DH) do Rio chegou aos suspeitos com base em uma trilha de indícios que deixaram, como as imagens de câmeras de segurança. Um vídeo registrou Barros Pereira, sem máscara, no centro de compras, ao volante do carro usado para o crime. Pela filmagem, o menino o reconheceu. O veículo foi alugado por Barros Pereira em seu nome. Uma moto filmada no mesmo lugar, com um homem de capacete, é do ex-marido.

Segundo a polícia, Pereira Júnior e a mulher, pais do garoto, tiveram separação litigiosa e disputavam na Justiça patrimônio de R$ 3 milhões. Além disso, o ex-marido tinha ciúmes de Karina, que, separada, se relacionava com outro homem. Segundo policiais, a mulher morava com o novo companheiro havia quatro meses, e parecia feliz. Isso teria irritado o ex-marido, inconformado com a separação.

“A felicidade da mulher pode ter provocado a ira do ex-marido. O crime guarda todos os qualificadores de um feminicídio, e as investigações apontam pelo menos para um homicídio triplamente qualificado, por ser mulher, motivo torpe e sem possibilidade de defesa”, disse o delegado André Barbosa, da DH. Segundo ele, embora o casal tenha tido intensas discussões recentemente, as desavenças nunca haviam chegado à polícia.

Conforme Barbosa, o adolescente que presenciou o crime, ao ver imagens da execução, reconheceu o primo e a moto do pai. No depoimento, que o delegado classificou como “assustador”, o menino afirmou que “papai mandou matar mamãe”.

Como aconteceu o crime

Na tarde desta quarta-feira, 15, Pereira Júnior e o primo esperaram a vítima se aproximar do prédio em que morava. O primo teria se aproximado de Karina a pé, com capuz no rosto. Atirou quatro vezes – a cena foi registrada por câmeras –, entrou em um Renault Logan preto e fugiu. Ela morreu imediatamente. A arma, com silenciador, foi achada nesta quinta em uma sacola, em um terreno baldio perto do local do homicídio.

Após o crime, o carro foi abandonado na frente do condomínio onde mora a ex-mulher do namorado de Karina. Foi uma tentativa de enganar a polícia, envolvendo essa ex-mulher no crime, aponta a investigação.

A polícia apura se houve participação de um terceiro, mas ainda na madrugada desta quinta pediu a prisão do ex-marido e de seu primo. O Portal dos Procurados  divulgou oferece recompensa de R$ 1 mil por informações que ajudem na prisão.

O autor dos disparos já foi acusado por outro homicídio. O Estado não conseguiu localizar nesta quinta a defesa dos dois. Além do adolescente que testemunhou o crime, a vítima tinha uma filha de 18 anos.

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