Ex-investigador mata delegada dentro de DP

Atirador não aceitava fim do namoro e executou Denise Quioca com 17 tiros em Guarulhos; ex já havia registrado duas queixas contra assassino

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2010 | 00h00

Inconformado com o fim do namoro de mais de oito anos, o ex-investigador Fábio Agostinho Macedo, de 33 anos, matou ontem a delegada Denise Quioca, de 28, na sala dela no 1.º Distrito Policial de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele atirou com duas pistolas pertencentes à Polícia Civil e se entregou. Alegou que fora ameaçado pela ex-namorada, que, por sua vez, já havia registrado duas queixas contra ele.

Preso em flagrante, Macedo foi levado à Corregedoria da Polícia Civil, no centro da capital. Num dos bolsos de sua calça havia uma folha com a frase: "Primeiro vou atrás de você e depois da sua família." Escrita num computador, a carta teria partido da delegada, acusou o ex-policial.

O delegado Luiz Antonio Rezende Rebello, divisionário da Divisão de Operações Especiais (DOP) da Corregedoria da Polícia Civil, suspeita dessa versão. "Cadê o envelope, já que a carta teria sido postada?", questionou. Segundo ele, o ex-investigador estava "frio e tranquilo" e não se lembrava do momento em que atirou na ex-namorada.

Macedo e Denise estavam separados desde janeiro. Ele, entretanto, recusava-se a aceitar o fim do relacionamento e procurava-a na delegacia para tentar reatar. Em 19 de setembro, ela, que iniciara um namoro com um tenente da PM lotado em Guarulhos, registrara queixa contra o ex-investigador, por perturbação de sossego. Em 8 de novembro, denunciou-o novamente à Corregedoria, desta vez por ameaça.

Na madrugada de ontem, foi ao DP e os dois conversaram na sala dela, no térreo. Além dos policiais civis, PMs apresentavam uma ocorrência. Ele saiu e voltou pouco antes das 4 horas, quando o DP esvaziara.

O acusado pediu a ela para usar o banheiro de sua sala. Entrou e saiu atirando com uma pistola ponto 40 numa mão e com uma ponto 45 na outra. Ele portava ainda uma pistola 380, registrada em seu nome. Após atirar diversas vezes, jogou as armas no chão, deixou a sala e disse a policiais que se entregava. A vítima morreu na hora. O corpo ficou na sala até o início da manhã para a realização de perícia. No Instituto Médico-Legal (IML), constatou-se que ela apresentava 17 perfurações, distribuídas pelos braços, rosto e costas.

Demissão. Macedo trabalhou no Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), onde entrou em 1997. No dia 9, foi expulso por porte ilegal de arma, lesão corporal e abuso de autoridade. Ao saber da demissão, Macedo avisou que entregaria as armas e o documento funcional, o que não fez.

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