Ex-interno diz que recebeu R$ 800 mil do padre Júlio

Acusado de extorsão diz que tinha relacionamento sexual com o religioso. Advogado de padre nega

27 de outubro de 2007 | 14h23

A polícia pedirá na segunda-feira a quebra do sigilo bancário do padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Menor de São Paulo. A medida foi divulgada nesta sábado, no anúncio da prisão de três acusados de extorquir o religioso. Anderson Marcos Batista, de 25 anos, Evandro dos Santos Guimarães, de 28 anos, e Conceição Eletério, de 44 anos, foram presos na noite de sexta-feira em um apartamento na Rua Riachuelo, no centro de São Paulo. Em depoimento à polícia, Batista negou a extorsão. Disse que mantinha relações sexuais com o religioso desde os 16 anos e afirmou que o padre lhe dava dinheiro espontaneamente.  O advogado de Lancellotti, Luiz Eduardo Greenhalgh, rebateu as afirmações e negou que o padre tivesse um relacionamento com o ex-interno. "Isso é uma grande mentira."   O advogado Nelson Bernardo da Costa, que defende o ex-interno, disse neste sábado que os valores dados ao seu cliente foram bem maiores que os declarados pelo religioso em depoimento à polícia. "Ele não recebeu apenas R$ 80 mil em três anos como o padre disse em depoimento recente. Ele recebeu entre R$ 700 e R$ 800 mil", afirmou o advogado ao Jornal da Tarde.   Greenhalgh diz que o  padre Júlio é vitima de um processo de extorsão. "Foi o padre quem denunciou à polícia este processo de extorsão." Greenhalgh afirmou ainda que "as declarações do advogado do ex-interno representam um cliente que é violento, é um cliente que tem mais de dez inquéritos, cinco sobre extorsões. Diz que está envolvido na morte do próprio filho. Então, nós temos que sopesar se vamos dar guarida à palavra de um bandido ou à palavra do padre Júlio. Eu quero que se estabeleça a presunção de inocência do padre Júlio. Porque foi ele que denunciou a armação contra ele."   Veja também:  Vizinho cita mais 4 em esquema contra padre  'O padre Júlio está sendo injusto comigo'  Funcionária da Casa Vida defende padre Júlio de acusações  Polícia abre inquérito para investigar padre Júlio Lancellotti   O delegado André Pimentel, responsável pelas investigações, afirmou que para a polícia o padre continuará sendo tratado como vítima de extorsão. "Todas as informações fornecidas pelos acusados serão checadas, mas por enquanto, elas são apenas matéria de defesa", disse o delegado. "Seria leviano dizer que o conteúdo dos depoimentos é verdadeiro." Pimentel informou ainda que soube por meio do padre que na semana passada a curia metropolitana pediu que a Justiça decretasse o sigilo do caso. Não soube dizer porém se a solicitação já havia sido apreciada.   Segundo o advogado do ex-interno, os valores correspondem a carros, aluguéis, imóveis e dinheiro. "Qualquer pessoa que você perguntar na Rua Catumbi, onde o Anderson tem uma pensão, vai te dizer que meu cliente teve uma melhora de vida desse período para cá. Diversas pessoas viam o Anderson receber envelopes cheios de dinheiro. E não era coisa de R$ 200, R$ 300. Tinham envelopes com R$ 10 mil", disse. A advogado afirmou que além da Mitsubishi Pajero que o padre admitiu ter pago para o Anderson, outros dois carros dois carros importados foram dados pelo religioso para o seu cliente. Um deles seria um Audi.   Conhecido por seu trabalho de assistência a menores infratores e moradores de rua e por dirigir a Casa Vida, de apoio a crianças com Aids, o sacerdote procurou a polícia para dizer que estava sendo extorquido pela quadrilha de Batista. O padre contou ter gasto, sob ameaça e coação o valor de R$ 80 mil. Em seu depoimento o padre disse que se submeteu à extorsão por ter sofrido ameaças de violência e porque o grupo dizia que iria denunciar à imprensa que ele havia abusado sexualmente de uma criança de oito anos. O padre nega as acusações e diz que deu o dinheiro ao grupo por acreditar na recuperação dos chantagistas.

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