Ex-gerente da Feira da Madrugada é morto em roubo

Embora Geraldo de Souza Amorim tenha denunciado esquema de propinas, polícia diz que morte foi crime comum

BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h02

O empresário Geraldo de Souza Amorim, de 61 anos, idealizador e ex-administrador da Feira da Madrugada do Brás, no centro de São Paulo, morreu ontem após ter sido baleado em uma tentativa de assalto em seu sítio, em Tatuí, a 141 km da capital.

Embora o empresário sofresse ameaças de morte e tivesse feito até um boletim de ocorrência sobre isso, a Polícia Civil diz já ter esclarecido o caso - e seria um crime comum. As ameaças estariam ligadas às denúncias feitas por Amorim, no começo do ano, de um esquema de cobrança de propinas na feira envolvendo parlamentares do PR no Congresso e na Câmara Municipal.

No crime, na noite do sábado, o empresário foi baleado duas vezes. Ele chegou a ser internado no Hospital São Luiz, mas não resistiu.

Segundo a polícia, cinco homens invadiram o sítio, mas um funcionário do empresário, que tinha um revólver calibre 38, reagiu. Na troca de tiros, Amorim e dois invasores ficaram feridos. Guardas-civis encontraram os feridos e os prenderam. Com eles, havia dois celulares de Amorim e cerca de R$ 1 mil.

O delegado Alexandre Andreucci disse que o crime foi planejado por um ex-funcionário de Amorim, com idade entre 20 a 30 anos. O rapaz, segundo o delegado, achava que o empresário guardava grande quantidade de dinheiro no sítio nos fins de semana. "Ele achava que conseguiria entre R$ 300 mil e R$ 700 mil e chamou quatro amigos, todos da Penha (zona leste) para fazer o roubo", disse o delegado. A polícia afirma já ter identificado o resto do grupo e que pedirá a prisão dos três ainda nesta semana.

Reação. Mesmo a polícia tratando o caso como um roubo sem ligação com as denúncias feitas por Amorim, a morte provocou reações ontem na Câmara Municipal. O vereador Aguinaldo Timoteo (PR), envolvido nas denúncias de cobrança de propina, lamentou a morte do empresário em discurso no plenário.

Leandro Dantas, presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes do Brás, acha que a morte causa ainda mais insegurança entre os ambulantes. Dantas substituiu Afonso José da Silva, conhecido como Afonso Camelô, de 37 anos, assassinado no dia 15 de dezembro. Afonso Camelô havia denunciado esquema de corrupção entre fiscais da Prefeitura que cobravam mensalidades de até R$ 2 mil. A morte dele também foi classificada como tentativa de assalto.

"Tudo isso nos deixa em situação de alarme o tempo todo. De nada adiantou essa organização que o prefeito Gilberto Kassab diz ter feito. Os ilegais continuam sendo explorados", lamenta Dantas.

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