Ex-Farc preso com droga na zona leste

Colombiano foi flagrado na Penha com 240 kg de cocaína escondidos em um caminhão; polícia desconfia que ele tenha ligação com PCC

Plínio Delphino, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2010 | 00h00

O colombiano Cosme Gonzalo Alvarez Alfonso, de 50 anos, ex-integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que vivia na Bolívia, foi preso sábado, com mais quatro homens, na região da Penha, zona leste de São Paulo. Ele estava com 240 kg de cocaína escondidos no fundo falso de um caminhão.

O boliviano Eduardo Claros Roca, de 35 anos, e o comerciante André Simão Martins, de 37, foram capturados porque estavam com Alfonso em um Fiat Palio branco, escoltando o carregamento. Luís Carlos de Almeida, de 47 anos, e o empresário Kleyton de Souza Silva, de 22, estavam no caminhão.

Em uma casa na Aclimação, zona sul, a polícia encontrou um laboratório de refino de drogas e apreendeu mais 43 quilos de maconha, 1,5 quilo de crack, além de cocaína. Segundo a polícia, os entorpecentes seriam levados para pontos dominados pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o delegado titular da 1.ª seccional (centro), Aldo Galiano Júnior, Alfonso se juntou a outros dissidentes das Farc e iniciou sua escalada no tráfico internacional de drogas montando um cartel. "Ele tem contatos e leva cocaína pura da Colômbia para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde estava vivendo. De lá, a droga entra no Brasil por Corumbá e chega até São Paulo."

A polícia começou a monitorar a quadrilha de Alfonso em setembro. "Temos um bom relacionamento com os donos de hotéis no centro. Eles nos avisam sobre movimentações estranhas. Pesquisamos e, se necessário, pedimos autorização judicial para fazer interceptação telefônica", disse o delegado.

Policiais do 12.º Distrito Policial (Pari) se aproximaram da quadrilha como se fossem traficantes interessados em comprar 150 kg de cocaína. A entrega seria em um hipermercado da Marginal do Tietê, mas a polícia mudou a estratégia na última hora. Como se tratava de um ex-integrante das Farc, haveria mais risco de tiroteio.

"Não quisemos arriscar e fazer a prisão dentro de um hipermercado. Por isso, investimos em fazer a abordagem ao caminhão em movimento", ponderou o delegado.

Ameaça. Alfonso é acusado de ter matado 19 guerrilheiros das Farc para se vingar. "O pai dele era agropecuarista. Os guerrilheiros das Farc souberam disso e o mataram para tomar suas terras", contou o delegado.

A vida de Alfonso se baseou em vingança. Jurado de morte, o criminoso tem medo mesmo na cadeia. "Ele tem certeza de que as Farc virão atrás dele aqui no Brasil", revelou Galiano. "Esse colombiano é um arquivo vivo de informações e tem consciência de que pode morrer a qualquer momento. Vamos pedir para que seja levado a um presídio federal."

Condenação. A polícia apreendeu a contabilidade do bando e todas as conexões anotadas. De acordo com Galiano, Alfonso foi condenado a 30 anos de prisão por homicídio na Colômbia. Cumpriu 17 e fugiu para viver em Santa Cruz de la Sierra.

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