Ex-dona de empresa hoje vive de fazer e distribuir marmitex

Para quem se manteve fiel ao serviço, diferencial ainda é o conforto, com direito a Wi-Fi, TV de plasma e banheiro

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2012 | 03h03

Ex-dona de uma empresa com seis ônibus, Ana Martinha Brito, de 57 anos, teve de sair do ramo após as restrições. Hoje, vive cozinhando marmitex. "Foi uma virada na minha vida. Eu era uma empresária. Agora, perdi tudo."

De acordo com ela, sem poder deixar os passageiros na porta dos locais onde trabalhavam, a clientela foi minguando muito rápido. Ela costumava levar passageiros da zona leste para o centro e zona sul. "Não podia ir para a Faria Lima e para a Paulista. Fiquei sem passageiros", diz.

O presidente da Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Fretamento (Assofresp), Luiz Orestes Rebizze, que dirige o próprio ônibus, ressalta ainda que a fiscalização aos fretados é cada vez maior. "Não param de colocar câmeras", diz.

Fiéis. Mas, apesar das restrições, muita gente continua optando pelos fretados. Cadeirante, a farmacêutica Ana Carolina Santos, de 27 anos, aceitou arcar com um custo maior para buscar o conforto dos ônibus fretados. "Uma vez, estava atrasada, não havia funcionário do metrô, um usuário foi me ajudar a entrar no vagão e acabei caindo na plataforma", lembra. Depois desse e de outros apertos, considerou que valeria a pena pagar R$ 290 por mês no percurso entre o Tatuapé e a Chácara Santo Antônio. Questionado sobre o caso, o Metrô afirmou que tem 4 mil empregados treinados para atender pessoas com deficiência.

O gerente da Bus Fretado, Sidnei Martins, de 28 anos, observa que o conforto é mesmo o diferencial para atrair passageiros. "A mensalidade é de R$ 290 ida e volta. E tem Wi-Fi, TV de plasma, leito, banheiro", diz.

Muitos têm de arcar com um custo ainda maior do que o da mensalidade. Morador de Campinas, o advogado Jean Friozi, de 28 anos, pegava o ônibus ao lado do trabalho, no Anhangabaú. Hoje, tem de gastar para ir até o Metrô Barra Funda. "Para mim, prejudicou. Mas não sou egoísta, acho que melhorou o trânsito."

Já motoristas de fretados não concordam que o trânsito tenha melhorado. Para eles, as vias para onde os ônibus foram direcionados ficaram entupidas. Um exemplo citado é a Avenida dos Bandeirantes, zona sul. /A.R.

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