Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Ex-controlador do município deixa o cargo citando 'esquema estruturado' de corrupção

Guilherme Mendes havia sido indicado na gestão João Doria (PSDB); o sucessor, Bruno Covas (PSDB), indicou o ex-ouvidor-geral do Estado, Gustavo Ungaro, para o cargo

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

20 Abril 2018 | 14h49

Demitido pelo prefeito Bruno Covas, o agora ex-controlador geral do município Guilherme Mendes apontou irregularidades na Prefeitura e afirmou que sua saída foi uma “decisão política”. O novo controlador, Gustavo Ungaro, ocupava a chefia da Ouvidoria Geral do Estado, que tem atribuições parecidas, como zelar pela transparência da gestão pública.

Em entrevista à rádio CBN, Mendes falou em um “esquema estruturado” de corrupção na administração municipal, citou suspeitas de desvio de R$ 50 milhões no Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad) e disse ainda que sua saída estava relacionada à defesa da suspensão dos contratos da Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação pública, alvo de denúncias gravadas sobre pagamento de propina envolvendo a ex-diretora do Ilume, o departamento de iluminação pública, Denise Abreu.

Ao Estado, entretanto, Mendes baixou o tom e afirmou que não disse nada que não fosse de conhecimento público, ao se referir ao “esquema estruturado”. “São esquemas envolvendo fiscais que passam por diversas administrações”, disse. Sobre o Fumcad, destacou que o trabalho de investigação dos supostos desvios “ainda está em andamento”, e destacou que “o pedido (de investigação) partiu da própria secretária de Direitos Humanos, Heloísa Arruda, que não estava segura em fazer os pagamentos porque havia muita desorganização”. 

O fundo é alvo de uma auditoria, aberta em julho do ano passado, no Tribunal de Contas do Município (TCM).

“Digo que minha saída é política porque não houve nenhum apontamento técnico sobre meu trabalho”, afirmou.

Mendes havia sido indicado pelo advogado Anderson Pomini, secretário de Justiça de João Doria (PSDB), que deixou o cargo com a saída do ex-prefeito para a disputa do cargo de governador do Estado. Pomini havia sido advogado eleitoral do prefeito. Mendes é servidor de carreira da Justiça Eleitoral.

Na segunda-feira, quando foi comunicado da decisão, teria sido oferecido a ele a possibilidade de permanecer na gestão Covas, ocupando cargo na Fundação Paulistana de Educação, Tecnologia e Cultura (Fumdatec). Nesta quinta, entretanto, ele foi informado pela chefia de gabinete do novo secretário de Justiça, Rubens Rizek Júnior, de que sua demissão seria oficializada no Diário Oficial desta sexta. Foi quando ele deu entrevista à rádio.

Por meio de nota, a gestão Bruno Covas comentou as afirmações do ex-controlador. Leia o texto na íntegra:

A Prefeitura de São Paulo esclarece que a imensa maioria dos servidores públicos municipais trabalha com dedicação e seriedade, como inclusive reconheceu o ex-controlador Guilherme Mendes em sua entrevista. Todas as denúncias de corrupção ou irregularidades são investigadas com máximo rigor, como bem sabe o ex-controlador, pois esta foi a orientação recebida por ele. Sobre o Fumcad, a Prefeitura esclarece que, por iniciativa da própria Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, foi aberta uma investigação em relação a projetos financiados pelo fundo cujas prestações de contas não foram apresentadas corretamente. Tais projetos foram iniciados em gestões passadas. A investigação continua em andamento. Gustavo Ungaro é um dos especialistas mais conceituados em controle interno do país e assume a Controladoria Geral do Município com a missão de aprofundar o bom trabalho que vem sendo feito.

O governo do Estado, também por nota, comentou a ida de Gustavo Ungaro para a Prefeitura: "Após a formalização da sua saída, o governo avaliará a nomeação de um novo titular ao órgão."

 

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