André Lessa/AE
André Lessa/AE

Ex-companheiros de cela do Cabo Bruno são ouvidos

Polícia recolheu depoimentos em cadeia de Taubaté, em uma tentativa de conseguir alguma hipótese para o assassinato

William Cardoso e Roberto Alexandre - Especial para o Estado,

28 Setembro 2012 | 22h31

SÃO PAULO - A Polícia Civil ouviu nesta sexta-feira, 28, 13 pessoas que conviveram com Florisvaldo de Oliveira, de 53 anos, na prisão de Taubaté. Conhecido como Cabo Bruno, o ex-policial militar e justiceiro foi assassinado na última quarta-feira, 26, 34 dias após ser libertado da prisão. O crime aconteceu na frente de sua casa, em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. As investigações, no entanto, ainda não apontam suspeitos.

Os ex-companheiros de Bruno no presídio foram ouvidos para ver se surgia alguma hipótese para o assassinato. "Até o momento, não temos suspeitos. Estamos fazendo averiguações, coletando dados", disse o delegado titular do 1.º DP de Pindamonhangaba, Vicente Lagioto Júnior, que acompanha o caso.

Bruno foi morto às 23h47, quando voltava de um culto em uma igreja evangélica em Aparecida. Os criminosos dispararam pelo menos 18 vezes, com pistolas calibre .45 e 380. Todos os tiros foram direcionados para rosto, peito e pescoço do ex-justiceiro. Ninguém mais se feriu.

Lagioto Júnior buscou imagens de câmeras que pudessem identificar suspeitos que tivessem seguido Bruno da hora em que ele saiu de casa para ir para a igreja, às 19h30, até o momento em que foi morto. Mas não encontrou nada que chamasse a atenção. Durante o culto, Bruno só acompanhou a pregação e não falou. Conversou reservadamente com o pastor no fim da cerimônia, e só então contou para ele que havia sido justiceiro. Deixou a igreja em Aparecida às 22h50.

A polícia busca também a quebra do sigilo telefônico para tentar interceptar ligações feitas de Aparecida para Pindamonhangaba, e vice-versa, entre 19h30 e a hora do crime, para descobrir se algo foi combinado entre possíveis suspeitos.

Segundo o diretor da Polícia Civil na região de São José dos Campos, João Barbosa Filho, não é possível falar qual foi a motivação do crime sem saber quem são os autores. Para ele, não é descartada a possibilidade de familiares de vítimas de Bruno no passado terem cometido o crime. "Ele mesmo falava que se tivesse tatuagem, matava." Para Barbosa Filho, não há indício de participação do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Enterro. O corpo do Cabo Bruno foi enterrado nesta sexta, às 14h, no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Catanduva, a 387 quilômetros de São Paulo. Cerca de 200 pessoas, entre moradores da cidade, amigos e familiares acompanharam o sepultamento do ex-PM. Cabo Bruno morou em Catanduva até os 24 anos.

A mãe de Florisvaldo, Josefina Scabin de Oliveira, de 87 anos, e a mulher do ex-policial militar, a pastora e cantora gospel Dayse França, permaneceram quase que o tempo todo da cerimônia ao lado do caixão. "Isso não pode ficar assim", chorava Josefina.

Familiares ouvidos pelo Estado acreditam que o assassinato do ex-justiceiro foi motivado por vingança. "Ele matou muita gente e por isso acredito que esse crime tenha sido uma vingança", disse Moacir Oliveira, irmão do ex-policial militar.

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