Ex-comandantes viraram 'zeladores'

Entre os subprefeitos estão ex-chefes do Estado Maior, da Academia e dos bombeiros, além da primeira mulher a chegar a coronel

Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

As escolhas não foram aleatórias. Antes de se aposentar, os oficiais indicados pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) ocuparam alguns dos principais postos no comando da PM. Nas chefias das subprefeituras paulistanas estão três ex-comandantes dos bombeiros, um ex-chefe do Estado Maior, um ex-comandante da Academia do Barro Branco, a primeira mulher a ser promovida a coronel em São Paulo e ex-comandantes de litoral, interior e Policiamento Metropolitano. Algumas das principais subdivisões ficaram para os coronéis, incluindo Sé e Vila Mariana.

 

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Esse grupo fardado, no entanto, ainda precisa adaptar-se a tarefas diferentes das que faziam. Com as subprefeituras esvaziadas, exercem mais o papel de zeladores de grandes regiões. E precisam lidar cotidianamente com as reclamações da população e com demandas políticas. A falta de jogo de cintura dos coronéis já tem provocado críticas.

A urbanista Lucila Lacreta, coordenadora do Defenda SP, reclama que o acesso aos oficiais subprefeitos sempre é mais difícil. "Você relata uma obra irregular e demora dois meses para receber uma resposta, isso quando ela vem. Conseguir ser recebido por um coronel também é uma missão impossível hoje", afirma a urbanista.

Vereadores também criticam a falta de diálogo dos oficiais com as associações de bairros e com líderes comunitários. "Na Mooca, por exemplo, o Kassab deveria colocar na subprefeitura quem foi eleito pela região, como eu e os vereadores Ricardo Teixeira (PSDB) e Cláudio Fonseca (PPS). Os assessores militares dos subprefeitos coronéis não entendem a linguagem da comunidade que pede os serviços de zeladoria", avalia o vereador Adílson Amadeu (PTB).

Risco. Hoje, os parlamentares perderam a influência política que tinham nas antigas administrações regionais e só indicam cargos de segundo e terceiro escalão. Na opinião de vereadores da base governista na Câmara, a chegada dos coronéis é uma aposta de risco para Kassab. Isso porque em 2008, na reeleição, o prefeito contou com subprefeitos ligados a vereadores, que agiam como cabos eleitorais nos bairros, o que não deve ocorrer com os oficiais.

Vencimentos

R$ 5,6 mil é o salário de um subprefeito

R$ 20 mil pode ganhar o coronel da reserva, com todas as gratificações.

 

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