Ex-chefe dos bombeiros no PR é suspeito de matar 9

Assassinatos de viciados em drogas seriam uma vingança pela morte do filho durante um assalto; defesa critica polícia

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2011 | 00h00

Ex-comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, o coronel Jorge Luiz Thais Martins, de 56 anos, é suspeito de envolvimento em nove mortes em Curitiba, supostamente em vingança pelo assassinato de seu filho, Jorge Guilherme Marinho Martins, de 26, em outubro de 2009.

Martins foi comandante da corporação entre junho de 2007 e dezembro de 2009 e se aposentou em 2010. A Justiça determinou a prisão temporária por 30 dias do coronel, mas ele não foi encontrado ontem.

Nenhum dos delegados envolvidos na investigação deu informações sobre o caso. A Secretaria da Segurança Pública do Paraná divulgou apenas uma nota dizendo que não se manifestaria. "Qualquer ação por parte do coronel Martins que esteja sendo investigada é considerada de caráter pessoal, de cidadão comum, sem relação nenhuma com a instituição que comandou", afirma a nota.

Assalto. O filho de Martins foi morto no bairro Boqueirão, ao deixar a namorada em casa. Ele foi baleado ao reagir a um assalto. Dois adolescentes usuários de drogas foram detidos, mas não havia provas e eles acabaram soltos.

Desde outubro do ano passado, a polícia registrou nove mortes de usuários de droga no mesmo bairro. Um rapaz que supostamente teria sobrevivido a tiros, entrevistado sob anonimato ontem à tarde pela TV Paranaense, da Rede Paranaense de Comunicação, disse ter reconhecido o coronel quando lhe foram apresentadas várias fotografias na Delegacia de Homicídios.

Defesa. O advogado do coronel, Eurolino Sechinel dos Reis, disse ontem à noite que o trabalho feito pela polícia para incriminar seu cliente é um "absurdo". "Tem o depoimento de uns três ou quatro usuários de droga, mas não se dignaram nem em pedir uma quebra de sigilo de telefone", afirmou.

Ele disse que o coronel deveria se entregar ainda ontem à noite em uma unidade do Corpo de Bombeiros, mas até as 23 horas de ontem, isso não havia acontecido. Reis afirmou ter conversado com Martins pela manhã, quando a polícia o procurava. Depois, disse ter estudado o inquérito. "Não tem nenhuma prova", afirmou. "Jogaram o nome de um homem que só fez salvar vidas, com uma história, na cova dos leões."

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