Ex-chefe do Denarc acusa colegas; delegados negam

Averiguado no caso da reforma do prédio do Departamento Estadual sobre Narcóticos (Denarc), o delegado Everardo Tanganelli Junior partiu para o ataque ontem e acusou superiores. Disse que foi obrigado a fazer a reforma sem licitação por ordem do ex-delegado-geral Maurício Lemos Freire e citou como testemunhas três delegados.

Marcelo Godoy e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

A obra sem licitação custou R$ 200 mil. O empresário Wandir Falsetti, dono da empresa que fez a reforma, foi pago com dinheiro vivo e uma Montana. Ele disse que R$ 40 mil vieram da tesouraria da Delegacia Geral de Polícia (DGP). Falsetti ainda teria R$ 80 mil a receber. O Estado conversou com dois dos delegados citados por Tanganelli: Renato Swensson e Godofredo Bittercourt Filho. Ambos negaram ter presenciado Freire mandar fazer a obra sem licitação - Freire não respondeu ao Estado, assim como o delegado Ruy Estanislau Silveira Mello, a terceira testemunha. O conselheiro do Tribunal de Contas Fúlvio Biazzi disse que conversou com Tanganelli e afirmou que a licitação era necessária. "Mas ele não me ouviu."

Tanganelli afirmou que conversou com o atual delegado-geral, Domingos de Paulo Neto, e que este autorizou a tesouraria da DGP a dar R$ 40 mil a Falsetti com o aval do secretário Antônio Ferreira Pinto. "É mentira. Nunca falei sobre isso com o secretário e não autorizei nada", disse Domingos. Foi Ferreira Pinto quem mandou apurar o caso. Domingos retirou Tanganelli do cargo. "Eles querem me entrutar (envolver), mas não vão", disse Tanganelli.

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