Ex-chefe de UTI em Curitiba e outros 7 são denunciados

MPE acusa Virgínia de Souza de homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha; ela nega as acusações

JULIO CESAR LIMA , ESPECIAL PARA O ESTADO / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h03

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou criminalmente ontem à Justiça a médica Virgínia Soares de Souza, ex-chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Curitiba (PR), por homicídio qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa das vítimas) e formação de quadrilha. A médica é acusada de apressar mortes de ao menos sete pacientes na UTI desde 2006. A Justiça terá cinco dias para se pronunciar.

Mais sete pessoas - quatro médicos, uma enfermeira e um fisioterapeuta - foram denunciados pelas mesmas acusações. Todos os denunciados negam as acusações.

Segundo o MP, os prontuários analisados por especialistas indicaram a prescrição de remédios, em especial Pavulon - no processo são citados outros medicamentos -, que provocam paralisia muscular e que não deveriam ser ministrados a pacientes naquelas condições. Os medicamentos, segundo essas análises, provocavam morte por asfixia dos pacientes. Segundo a promotora Fernanda Garcez, as ações de Virgínia e dos outros acusados eram "repugnantes".

De acordo com um trecho da denúncia, os médicos, sob ordens de Virgínia, "prescreviam bloqueadores neuromusculares normalmente empregados em medicina intensiva para otimização de ventilação artificial". "Ministrados os fármacos, procedia-se o rebaixamento dos parâmetros ventilatórios dos pacientes, então dependentes de ventilação mecânica, fazendo-os morrer por asfixia", diz a denúncia.

Os prontuários deverão comprovar, na opinião do MP, a materialidade dos crimes. "É um tipo de crime que não deixa vestígios, mas temos todo o modus operandi e isso está descrito", afirmou a promotora.

Para o advogado que defende Virgínia, Elias Mattar Assad, não há materialidade. "Vamos basear a defesa nessa falta de materialidade e justificar com os atos médicos. Colocaram a médica como ré e as testemunhas dela como quadrilha", afirmou.

Além das sete mortes que embasaram a denúncia, o MP também pediu a continuidade da investigação sobre outros 21 prontuários de pacientes que morreram na UTI.

Virgínia está presa desde 19 de fevereiro.

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