Ex-assessor de política boliviana é preso com quase 100 kg de cocaína em SP

Para as investigações, Romer Gutiérrez Quezada agia em parceria com facções bolivianas e tinha o plano de montar um entreposto para cocaína na região do Guarujá

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2017 | 21h06

SÃO PAULO - A Polícia Civil de São Paulo prendeu o boliviano Romer Gutiérrez Quezada, de 38 anos, após flagrá-lo com 99,245 quilos de cocaína em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, no último dia 7. Suspeito de liderar uma quadrilha internacional de tráfico de drogas, ele trabalhava até um dia antes de ser detido como assessor de Melody Téllez, que é vereadora de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, pelo partido Movimento ao Socialismo (MAS), o mesmo do presidente Evo Morales.

Segundo as investigações, Quezada estaria cotado a assumir o cargo de vice-cônsul da Bolívia em São Paulo, o que facilitaria o trânsito do suspeito entre os dois países e, consequentemente, o transporte de cocaína de lá para cá. Questionados, o Consulado Geral da Bolívia em São Paulo e a Embaixada, em Brasília, não responderam até as 21h.

O suspeito foi preso por policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), na Rua São José, em São Bernardo do Campo, ao tentar fazer uma entrega de 100 tijolos de cocaína, que estavam guardados em uma caminhonete branca e um Fiat Uno cinza. O flagrante aconteceu à noite, por volta das 23h50.

Segundo a Polícia Civil, seria a primeira grande entrega da droga sob liderança do suspeito no País. Os investigadores levantaram que Quezada estava acomodado havia cerca de dez dias em um flat em São Bernardo, preparando a mudança para o Brasil.

Para as investigações, ele agia em parceria com facções bolivianas e tinha o plano de montar um entreposto para cocaína na região do Guarujá, no litoral de São Paulo. Com o esquema consolidado, a droga seria exportada de lá para outros continentes.

Na operação, os policiais também prenderam o boliviano Olbis Rueda Garcia, de 41 anos, acusado de ser um dos líderes do esquema. Foram detidos, ainda, os brasileiros Leonardo de Faria, de 30, e Everton Gambardo Ploia, de 41, apontados pela Polícia Civil como “capangas” dos estrangeiros.

Grampo. As investigações duraram pouca mais de um mês e foram coordenadas pelo delegado José Eduardo Jorge, titular da Dise de São Bernardo. Quezada acabou entrando no radar da polícia paulista após cair em grampo tratando com traficantes da região que já eram monitorados pelos investigadores. Na ocasião, ele ainda estava em Santa Cruz de la Sierra.

Os policiais conseguiram levantar informações sobre o local de entrega da droga, além de quem seriam os intermediários e transportadores da cocaína. Surpreendidos pelos policiais, os quatro suspeitos foram autuados em flagrante por tráfico e associação ao tráfico. Na delegacia, todos permaneceram calados.

No mesmo dia, o Consulado Geral da Bolívia em São Paulo foi avisado das prisões dos dois estrangeiros. Além de assessor da vereadora Melody Téllez, Quezada é irmão da deputada suplente Amparo Gutierrez Quezada, também do MAS. Liderado por Evo Morales, o partido boliviano tem por bandeira a defesa de plantadores de coca no país.

À imprensa boliviana, Melody afirmou que o suspeito já não era seu assessor desde o dia 6 de julho - um antes da prisão - porque deixou de comparecer ao trabalho, sob justificativa inicial que estava com problemas de saúde. “Nós fomos surpreendidos”, disse a vereadora. “Além do mais, ficamos suscetíveis a este senhor que está ligado ao narcotráfico e pôs em risco a vida das pessoas com quem trabalhou.”

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