DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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Ex-aluno é morto dentro do câmpus da PUC-SP na Consolação

Suspeito, preso em flagrante, é um porteiro da universidade que se envolveu em uma briga com o estudante. Justiça vai analisar se caso é legitima defesa

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2019 | 18h30
Atualizado 05 de julho de 2019 | 11h37

SÃO PAULO - Um ex-aluno foi morto no interior do câmpus da Pontifícia Universidade Católica (PUC) na Consolação, região central de São Paulo, na tarde desta quinta-feira, 4. O estudante se envolveu em uma briga com o porteiro do local, que disse ter usado uma faca em legítima defesa após ter sido agredido. Ele foi preso em flagrante.

A vítima é Bruno da Silva Araújo, de 27 anos, que se formou pela universidade no curso de Engenharia Civil em 2018. A confusão teve início no banheiro de um dos prédios com o funcionário José Domingos Diniz, de 59 anos.

Segundo o delegado Rafael Navarro, do 4.º DP (Consolação), o caso chegou até a polícia depois que alunos foram correndo até a delegacia, que fica na mesma rua da universidade. Navarro contou que o ex-aluno e o porteiro tinham divergências antigas, mas nesta quinta voltaram a brigar no banheiro da unidade.

Apesar de já ter concluído a graduação, ele continuava a frequentar o local para se alimentar, uma vez que os preços do refeitório eram considerados mais baratos.

No banheiro, o ex-aluno e o funcionário se encontraram e bateram boca. O porteiro lavava a faca que havia usado no almoço. Ele ameaçou usá-la, caso o estudante iniciasse briga. 

Transtornado, de acordo com testemunhas, o jovem foi até a sua motocicleta, que estava estacionada em frente à PUC, e apanhou uma barra de ferro. Em seguida, voltou para o interior do local.

No retorno, segundo a polícia, outro porteiro tentou impedir a sua entrada, mas não conseguiu. O jovem teria seguido até as imediações do banheiro e atacado o porteiro, que reagiu com a faca que portava. 

A polícia ainda não sabe quantas facadas foram dadas no estudante, que morreu no local. O segundo porteiro, na tentativa de apartar a briga, foi ferido na mão pela faca do colega. 

Confusão

O estudante Caíque Sena, de 24 anos, estava em outro prédio da mesma unidade quando escutou gritos. Ele acredita que a briga tenha durado poucos minutos. No início da noite, a universidade já estava com as portas fechadas. 

Sena conta que a vítima relatava as dificuldades de estar desempregado e, com uma moto, fazia entregas para pagar as contas. Segundo os colegas, apesar de demonstrar um comportamento instável, Bruno não era agressivo. “Nos surpreendemos quando o encontramos aqui na semana passada, em uma feira do livro. Ele era incisivo, mas nunca se envolveu em brigas”, diz o universitário. 

 A polícia prendeu Diniz em flagrante. A lesão corporal contra os funcionários também foi registrada no boletim de ocorrência.

Segundo Navarro, ele será apresentado em audiência de custódia hoje e a Justiça vai decidir se mantém ou não a prisão. A Justiça analisará o caso e poderá decidir pelo arquivamento, caso entenda que o porteiro agiu em legítima defesa.

Em nota, a PUC disse lamentar profundamente o episódio “entre um vigilante de uma empresa terceirizada e um ex-aluno”. “A instituição está tomando todas as providências cabíveis e ao seu alcance, colaborando com as autoridades para o esclarecimento das circunstâncias referentes ao caso.” 

As férias na unidade vão começar na próxima semana. No câmpus da Consolação, funcionam os cursos de graduação e pós da área de Exatas e Tecnologia, além do Núcleo de Pesquisas Tecnológicas da instituição.

Vítima tinha personalidade forte, diz parente

A família da vítima disse ter tomado conhecimento da morte de Bruno da Silva Araújo pela televisão. Tios confirmaram que ele continuava a frequentar a universidade para fazer as refeições, como uma forma de economizar.

Os parentes reconheceram também que a personalidade do jovem era incisiva, apesar de não brigar com frequência. “Quando ele estava certo, batia o pé. Não tinha jeito”, disse o motorista Marcos André, de 42 anos, tio da vítima. “Mas acho que, se tinha uma briga acontecendo, a universidade deveria ter acionado a polícia”, lamentou.

De acordo com ele, as divergências entre o estudante e o porteiro já ocorriam há algum tempo e teriam relação com o acesso à universidade. “Ele falava: ‘Tio, o porteiro fica pegando no meu pé. Não me deixa entrar lá”, contou André.

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