Ex-administrador da Feira da Madrugada morre após ser baleado em assalto

Vítima vinha declarando receber ameaças após denunciar esquema de corrupção de parlamentares no PR

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2011 | 15h52

SÃO PAULO - Ex-administrador da Feira da Madrugada do Brás, Geraldo de Souza Amorim, 61 anos, morreu nesta terça-feira, 20, após ser baleado por criminosos que invadiram seu sítio na noite de sábado em Tatuí, a 141 km de São Paulo. A vítima vinha declarando receber ameaças de morte após denunciar um esquema de corrupção envolvendo parlamentares do PR no Congresso e na Câmara Municipal. Amorim estava internado em estado grave havia mais de 50 horas.

A PM registrou o caso como tentativa de roubo. O ex-administrador teria sido baleado numa troca de tiros com os ladrões, após reagir. Guarda Civil de Tatuí prenderam dois supeitos em flagrante perto do sitio, na mesma noite do crime. Foram encontrados com os suspeitos dois celulares de Amorim e R$ 952.

O vereador Aguinaldo Timoteo (PR), envolvido nas denúncias de cobrança de propina, lamentou a morte de Amorim em discurso agora pouco na sessão da Câmara Municipal de São Paulo. Leandro Dantas, presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes do Brás, acha que a morte causa ainda mais insegurança entre os ambulantes. Dantas substituiu Afonso José da Silva, de 37 anos, assassinado no dia 15 de dezembro. Afonso Camelô também havia denunciado esquema de corrupção entre fiscais da Prefeitura que cobravam mensalidades de até 2 mil de marreteiros ilegais. "Tudo isso nos deixa em situação de alarme o tempo todo. De nada adiantou essa organização que o prefeito Kassab diz ter feito. Os ilegais continuam sendo explorados", lamenta Dantas, que cobra uma solução da polícia para o assassinato de Afonso, que também foi considerado como tentativa de assalto.

Texto atualizado às 16h32 para acréscimo de informações

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