Eventos dão novos usos ao espaço público

Iniciativas de ocupação da cidade estimulam encontro entre cidadãos de SP, diz arquiteta

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h08

Amanhã, às 19h30, o vão livre do Masp será transformado em sala de cinema. O filme São Silvestre, de Lina Chamie, vai ser exibido pela 37.ª Mostra de Cinema de São Paulo - em uma tradição de projeções ao ar livre que começou em 2001. "Esse tipo de programa mexe com o orgulho da cidade, um sentimento que sempre foi difícil para o paulistano", diz Renata de Almeida, diretora do evento.

Sempre foi difícil, é verdade. Mas, nos últimos anos, diversas atrações (e intervenções) têm feito com que o morador da capital redescubra a rua. E redescobrir é o primeiro passo para reocupar. "É lindo que meu filme esteja literalmente exposto na cidade, abraçado pela cidade, em real corpo a corpo com a cidade", diz Lina.

No caso da Mostra, há programação também no Parque do Ibirapuera, e outros exemplos não faltam.

O Cultura Livre SP leva música, teatro, dança, circo e oficinas de arte a espaços públicos da cidade desde 2011. Às 14h de hoje tem Mariana Aydar no Parque da Juventude e Tihuana no Parque Ecológico do Tietê. Mas o projeto também espalha atrações por locais que vão do zoológico ao Hospital das Clínicas - onde há shows musicais todas as sextas, na hora do almoço.

"A ideia é aproveitar os espaços públicos para democratizar a cultura", afirma Natália Duarte, assistente de coordenação da Secretaria de Estado da Cultura, responsável pelo projeto.

Iniciativa do casal de cineastas Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, a Oficina Tela Brasil ensina técnicas de cinema por onde passa. Na programação atual, estão três bairros paulistanos: o Jardim São Luís, a Vila Nova Cachoeirinha e o Capão Redondo.

Transformação. Em alguns casos, os projetos implicam mudança física dos espaços. Um exemplo é o projeto Pintando a Zona Leste, em que grafiteiros foram convocados para dar mais cor aos bairros do Tatuapé e de Itaquera.

"Como a população pode acompanhar de perto, estamos resgatando a autoestima dos moradores, fazendo-os participar do processo", diz Gabriel Oliveira, um dos idealizadores e supervisor de Cultura da Subprefeitura de Itaquera.

Tais iniciativas vêm ganhando o respeito de especialistas. "Gosto muito desses eventos. Eles reforçam uma das principais funções do espaço público: o encontro", diz a arquiteta Valéria Ferraz, que defendeu recentemente na Universidade de São Paulo (USP) tese de doutorado sobre espaços públicos na capital.

"Além disso, ao usarmos um espaço com certa frequência passamos a cuidar, transformando-o em um 'lugar', que aos poucos passa a fazer parte do imaginário coletivo", afirma a pesquisadora.

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