Evangélico, rapaz evitava sair à noite

O vigilante Leonardo da Silva, de 19 anos, andava com medo de sair na rua à noite. A onda de mortes na periferia já chegara até Itaquera, na zona leste.

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2012 | 02h02

Havia sete meses, ele tinha diminuído as saídas para conversar com os amigos. Nesse período, passou a frequentar a igreja Assembleia de Deus com a irmã, Camila, de 22 anos.

"Naquele dia (6 de outubro), ele havia chegado do trabalho, tomado banho e os meninos ligaram pedindo para ele emprestar um boné. Ele foi levar e não voltou", lembra a irmã.

Ela conta que a notícia chegou por meio de amigos do rapaz. Havia mais gente na rua quando quatro homens em duas motos apareceram. O local não era ponto de drogas, como as autoridades paulistas gostam de sustentar sobre casos que ainda não resolveram. Tratava-se de um banquinho na Rua Nicolino Matrocola, onde amigos se reúnem para conversar depois do trabalho ou da escola.

"Estávamos conversando na rua quando eles chegaram atirando, sem dizer nada", contou um sobrevivente. "Não deu um minuto, duas viaturas da Força Tática apareceram e recolheram os corpos e as cápsulas do chão", afirmou a testemunha, que guardou um dos projéteis.

Além de Leonardo, um amigo dele, Victor Martins, de 25 anos, também vigilante, morreu. / A.R.

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