Europeus alertam para 'narcoturistas' brasileiros

Tráfico dá dinheiro e viagens a jovens de classe média para que voltem ao País com ecstasy e LSD

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE , GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2011 | 03h03

"Prêmio" de no mínimo R$ 20 mil, uma viagem de turismo pela Europa com todas as despesas pagas e apenas uma obrigação: trazer de volta para o Brasil pílulas de ecstasy ou comprimidos de LSD. Essa é a nova tendência revelada pela entidade Frontex, a polícia de fronteiras da União Europeia, e está sendo chamada de narcoturismo dos jovens da classe média brasileira.

Até hoje, a tendência era justamente o contrário: jovens brasileiros sendo usados como mulas para transportar drogas entre o Brasil e o mercado europeu. Segundo a Frontex, esse fenômeno continua e o Brasil de fato é um dos principais pontos de partidas da cocaína.

Mas, com o mercado brasileiro em expansão e maior renda da população, o Brasil se transformou em um dos principais destinos das drogas sintéticas.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil vai na contramão da tendência da maioria dos países ricos, nos quais o consumo de drogas dá sinal de estar em queda.

Inversão. O levantamento da Frontex mostra uma realidade que pegou de surpresa as autoridades europeias, habituadas em controlar a entrada de drogas, e não sua saída.

Segundo a entidade, jovens de classe média no Brasil são contatados por traficantes de drogas que oferecem viagens à Europa, com tudo pago. Passam férias e de fato fazem o percurso tradicional do turismo.

"Como pagamento, os jovens levam as drogas - em grande parte ecstasy e LSD - de volta ao Brasil, onde então serão compensados com um pagamento que varia entre 8,5 mil e 13 mil (aproximadamente R$ 20,4 mil e R$ 31,2 mil)", revelou a Frontex em seu novo relatório sobre a situação das fronteiras.

Com um perfil diferente das tradicionais mulas, os jovens de classe média chamariam menos a atenção das autoridades.

Segundo o mapeamento, os principais destinos desses brasileiros são a Bélgica e a Holanda, os maiores produtores de drogas sintéticas da Europa. Mas é principalmente a partir de Lisboa que as novas mulas embarcam para o Brasil.

No País, o crime organizado tenta evitar que o desembarque seja em São Paulo ou no Rio, temendo sofrer maior controle. A rota passa principalmente por Belo Horizonte, Salvador e Recife, para onde voos diretos começam a ser feitos a partir de Lisboa, Madri, Paris e Frankfurt.

Citando informações da Polícia Federal brasileira, a União Europeia alerta que apenas no primeiro semestre de 2011 mais de 171 mil pílulas de ecstasy foram apreendidas nos aeroportos do Brasil, além de 44 mil comprimidos de LSD. Mais da metade foi confiscada no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte.

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