EUA suspeitaram que garota detida queria trabalhar

A família da estudante paulistana V.L.S., de 16 anos, descobriu ontem por que a garota está detida em um abrigo para adolescentes em Miami, nos Estados Unidos, desde 27 de novembro. Agentes da imigração do aeroporto suspeitaram que a jovem pretendia trabalhar ilegalmente no país.

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2013 | 02h03

A revelação foi feita por uma advogada que visitou V. no abrigo na semana passada. Como é autorizada a telefonar para casa uma vez por semana, a estudante só contou ontem a novidade à mãe, a balconista Alexsandra Aparecida da Silva, de 36 anos. "Ela disse que a advogada pegou um papel e leu para ela. Lá, estava escrito que suspeitaram que minha filha ia trabalhar nos Estados Unidos para me ajudar (mandando dinheiro para o Brasil)", disse Alexsandra. A família tentava descobrir por que a garota foi barrada no aeroporto de Miami havia 50 dias.

V. saiu de São Paulo em 26 de novembro. Embora tivesse passaporte e visto em dia, além de ter a volta para o Brasil programada, a jovem foi impedida de entrar no país e acabou sendo enviada a um abrigo. Lá, passou Natal, ano-novo e aniversário. Até semana passada, os pais da garota não sabiam por que ela tinha sido detida nem tinham ideia de quando ela poderia voltar.

Durante a visita ao abrigo, a advogada perguntou a V. se a acusação era verdadeira. A estudante disse que não. "Isso é mentira. Minha filha foi lá para passear e passar um tempo com minha tia (uma parente que vive em Miami há 10 anos). Ela queria conhecer os parques da Disney. Era o sonho dela", afirma a balconista.

Consultado ontem à noite, o Itamaraty informou que não poderia confirmar o motivo da detenção de V.. A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e o Departamento de Segurança Doméstica americano afirmaram que não passariam informações sobre o caso para preservar a privacidade da jovem.

Espera. A volta da estudante para o Brasil depende agora da autorização dos Estados Unidos. Na quinta-feira, V. declarou oficialmente que não queria mais entrar no país. A partir disso, funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Miami estão trabalhando para que ela possa retornar o quanto antes.

Caso insistisse em visitar os Estados Unidos, a adolescente teria de comparecer a uma audiência da Corte de Imigração marcada para o dia 31. Hoje, V. deve receber mais uma visita dos diplomatas brasileiros que estão acompanhando sua situação no abrigo para adolescentes.

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