EUA investiga excursão de turismo sexual na Amazônia

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos investiga expedições de pesca esportiva feitas na Amazônia brasileira sob a suspeita de que elas são usadas como pretexto por americanos para a exploração sexual de garotas menores de idade.

Barry Meier, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2011 | 00h00

A investigação e duas ações correlatas - um inquérito criminal no Brasil e um processo pouco usual arquivado na corte federal da Geórgia - podem dar uma ideia do negócio multimilionário da indústria internacional do sexo, que, segundo os documentos, tem como alvo crescente o Brasil. "O Brasil está superando a Tailândia como principal destino para turismo sexual", disse Kristen Berg, advogado de uma organização de Nova York que participa do processo.

O processo começou no último mês por conta de quatro mulheres brasileiras que dizem que foram levadas ainda menores de idade para servirem de prostitutas para americanos em expedições de pesca organizadas por um executivo de Atlanta. Uma delas tinha 12 anos na época.

Berg afirma que o processo foi a primeira vez que uma lei, a de proteção a vítimas de tráfico e violência de 2000, foi usada para investigar os crimes de acusados de organizar viagens sexuais. Em uma breve conversa telefônica, Richard W. Schair, um dos acusados no caso, disse que as alegações são falsas.

Documentos recentes revelam que Schair e sua ex-mulher já foram alvo de investigações no Brasil e nos EUA sobre exploração sexual infantil. A mais recente, porém, é a primeira que vem a público. Em 2009, ele teve de dar explicações à Justiça sobre uma lista de clientes.

Segundo a apuração do Departamento de Justiça, Schair ou seus empregados na Wet-A-Line Tour - empresa responsável pelas expedições - recrutaram jovens garotas em um clube na Amazônia para acompanhá-los em um barco de pesca, onde as garotas foram forçadas a praticar sexo e pagas por isso.

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