EUA facilitam entrada de brasileiros e querem reduzir fila da imigração em 70%

Programa inicialmente beneficiará executivos, imprensa, empresas aéreas e de viagens, mas deve ser estendido para 1.500 turistas em 1 ano

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

27 Março 2012 | 07h39

Em um projeto-piloto ainda tímido, o governo americano vai começar a livrar alguns brasileiros das longas filas de imigração nos principais aeroportos dos Estados Unidos. O programa, conhecido como Global Entry, vai selecionar inicialmente 150 brasileiros com visto de negócios (B1) para entrar naquele país passando apenas por um quiosque automático, sem pegar fila. Depois de um ano, o programa vai ser estendido para 1,5 mil turistas.

O objetivo é diminuir em até 70% o tempo de espera do passageiro na imigração. O acordo entre os governos americano e brasileiro para colocar em prática o Global Entry deve ser assinado em maio. As 150 pessoas que podem ser recrutadas nessa fase inicial, contudo, fazem parte de um grupo bem restrito: executivos que viajam com frequência para os Estados Unidos, imprensa e trabalhadores de agências de viagens e empresas aéreas.

"É o primeiro passo para a isenção de visto para brasileiros. A ideia é que, se você é Global Entry, não deve precisar de visto", diz o adido de alfândega e proteção de fronteiras, Jaime Ramsay. Hoje, porém, o visto ainda é necessário, independentemente do Global Entry.

Regras para qualificação. Para ser qualificado para o programa, além de um visto de negócios, é preciso pagar uma taxa de US$ 100, não reembolsável, mesmo se a solicitação for negada. Cabe à Polícia Federal brasileira fazer um "pente-fino" e investigar os antecedentes de cada um, para depois repassar todos os dados para o governo americano. A etapa final é uma entrevista.

Quem é aprovado recebe uma carteirinha com um "número de baixo risco" (LRN, na sigla em inglês), válida por cinco anos. No aeroporto, vai direto para um quiosque similar a um caixa eletrônico, perto da área de imigração, imprime as digitais e coloca o passaporte em um leitor de código de barras. Recebe um papel de liberação e já pode buscar as malas. Segundo Ramsey, o passageiro Global Entry está em constante análise de dados e, se cometer um delito nesses cinco anos, perde os privilégios.

Essas máquinas existem nos 20 principais aeroportos americanos, incluindo Nova York (JFK), Miami, Los Angeles e Washington. Holandeses e mexicanos já fazem parte de programas similares. Para a Copa e a Olimpíada, o governo americano quer fazer uma parceria com a PF para colocar em prática uma versão brasileira do Global Entry, para facilitar a entrada de americanos no País.

Turistas. O governo americano estima que, em um ano, a contar de maio, 1,5 mil turistas com visto tipo B2 vão poder inscrever-se no programa. Para o arquiteto Marcelo Pontes, de 35 anos, diretor da empresa de design Super Uber, quanto menos tempo no aeroporto, melhor. "Depois de uma viagem de dez horas, faz uma grande diferença não ter de ficar mais uma hora na fila", diz ele, que viaja pelo menos três vezes por ano para os EUA a trabalho. / COLABOROU ARTUR RODRIGUES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.