Em São Paulo, Alexsandra mostra pertences da filha
Em São Paulo, Alexsandra mostra pertences da filha

EUA dizem que estudante brasileira detida em Miami pode voltar

Embora com visto, passaporte em dia e passagem de volta, jovem que fez 16 anos nessa quinta foi barrada há 45 dias em Miami e enviada para um abrigo

Tiago Dantas, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2013 | 08h45

SÃO PAULO - Pode estar perto do fim o drama da estudante paulistana V.L.S., que fez nessa quinta-feira, 10, 16 anos e está detida em um abrigo em Miami, nos Estados Unidos, há 45 dias. A jovem pode ser autorizada a viajar para o Brasil imediatamente, desde que informe às autoridades americanas e à embaixada brasileira que quer retornar.

Na quarta-feira, 9, a menina já havia falado para a mãe, a balconista Alexsandra Aparecida da Silva, de 36 anos, que não quer mais ficar nos Estados Unidos. V. desembarcou sozinha no país em 27 de novembro, após ganhar a viagem de presente da tia-avó, a corretora de imóveis Marli Volpenhein, de 46 anos, que vive em Miami há 10. Além de visitar a família, a adolescente pretendia conhecer os parques da Disney e assistir a um show do cantor sertanejo Luan Santana.

Embora tivesse visto e passaporte em dia, além de passagem de volta, V. foi barrada no aeroporto de Miami e enviada ao abrigo, como o Estado revelou na quarta. 

Uma audiência da Corte de Imigração foi marcada para o dia 31. Mas a jovem pode ser dispensada do compromisso jurídico caso manifeste oficialmente a vontade de voltar ao Brasil, segundo autoridades americanas. A informação foi confirmada pelo Itamaraty.

Nessa quinta, no dia de seu aniversário, V. foi visitada por diplomatas brasileiros. O Ministério das Relações Exteriores não informou detalhes do encontro. Desde novembro, a garota só entrou em contato com a mãe seis vezes. Ontem, Alexsandra passou o dia inteiro esperando sua ligação, que não ocorreu. A cada vez que o telefone tocava, a balconista soltava um suspiro: “Será que é ela?” Eram parentes, amigos da família e jornalistas atrás de novidades do caso. Apenas um dos telefonemas veio dos Estados Unidos. A corretora de imóveis Elaine Hink, de 34 anos, prima de Alexsandra, ligou para dizer que Marli estava no hospital, onde acabara de dar à luz uma menina. “Ela está tão nervosa com essa história da V. que o bebê até nasceu antes do tempo”, comentou Elaine. A internação impediu Marli de ir ao abrigo.

Conforme as horas passavam, Alexsandra ficava mais apreensiva. “Se eu soubesse que minha filha estava lá passeando, já estaria morrendo de saudades. Mas, com ela presa e sem poder ligar, fico muito nervosa e triste. Queria que isso se resolvesse logo.” A balconista lembrou que V. parecia estar muito desanimada da última vez em que conversaram, anteontem.

Documentos. Até hoje, a família não sabe a razão da detenção. O Departamento de Segurança Doméstica dos Estados Unidos, responsável pela imigração, informou ontem que não poderia dar detalhes por envolver uma menor de idade. A Embaixada dos Estados Unidos afirmou que a divulgação dos motivos da detenção seria invasão de privacidade. Autoridades dizem apenas que é uma questão de imigração.

O primeiro problema levantado por funcionários do aeroporto de Miami, assim que V. desembarcou, foi a falta de tradução de um documento, no qual seus pais a autorizam a viajar sozinha. Depois, notaram a falta de outro documento, que transferia a guarda provisória de V. a Marli, já que ela não é parente direta. 

A família garante que entregou os papéis no consulado brasileiro em 5 de dezembro, com comprovantes de que Marli está em situação legal nos Estados Unidos.

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