Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

EUA analisam dia 31 caso de brasileira detida

Após desembarcar em Miami em novembro, paulistana de 15 anos foi mandada para abrigo

Tiago Dantas,

10 Janeiro 2013 | 00h01

A Corte de Imigração dos Estados Unidos marcou para o dia 31 uma audiência sobre o caso da estudante paulistana V.L.S., de 15 anos. Ela está detida em Miami desde 27 de novembro, quando foi proibida de entrar no país. A família ainda não sabe o motivo da detenção, nem quando V. será liberada, como o Estado revelou ontem. A garota tinha visto, passaporte e passagem de volta para o Brasil já comprada.

Após nove dias sem contato com a filha, a balconista Alexsandra Aparecida da Silva, de 36 anos, recebeu um telefonema dela ontem à tarde. "Ela está muito chateada. Como marcaram a audiência para o fim do mês, a gente acha que ela só poderá sair em fevereiro. Mas, se é para decidir que minha filha deve voltar, por que não fazem isso logo?"

Diplomatas brasileiros se comprometeram a visitar a garota hoje no abrigo para menores de idade para onde ela foi enviada, segundo o Ministério das Relações Exteriores. A corretora de imóveis Marli Volpenhein, de 41 anos, tia-avó de V. que vive em Miami, também pretende tentar visitá-la hoje, já que é o aniversário de 16 anos da garota.

"Espero que seja autorizada a me encontrar com ela", disse Marli. "No ano passado, nessa época, a gente estava planejando a festa de 15 anos dela, comprando vestido e tudo o mais. Hoje, quando perguntei o que ela ia fazer no aniversário, deu até um nó na garganta. Ela falou: ‘Vou chorar, chorar e depois dormir’", disse Alexsandra.

Hipótese

Grávida de nove meses, Marli tem dedicado os últimos 40 dias para tentar encontrar justificativas para a detenção de V.. Como não conseguiu resposta direta das autoridades locais, a corretora de imóveis procurou informalmente funcionários do aeroporto que acompanharam a chegada da estudante a Miami e pessoas que trabalham no abrigo.

No setor de imigração do aeroporto, uma pessoa lhe disse que duas coisas podem ter pesado na hora de V. ser barrada: a falta de uma autorização assinada pelos pais da menina e escrita em inglês para que ela viajasse sozinha - o documento estava em português - e a ausência de um papel que concedesse a guarda provisória da adolescente a Marli.

A família garante que enviou ao Consulado do Brasil em Miami a autorização, com tradução juramentada, em 28 de novembro. Já o documento que concede a guarda temporária foi entregue aos diplomatas brasileiros em 5 de dezembro. O Itamaraty informou que está trabalhando para chegar a uma solução rápida para o caso.

A advogada americana Gina Polo, que trabalha em um escritório especializado em lei de imigração em Miami, concorda que a falta do documento seria suficiente para barrar a entrada de V. nos Estados Unidos. "Vamos imaginar o ponto de vista do oficial de imigração: ‘Não sei quem essa jovem é, ela é menor de idade, está viajando sozinha e não sei quem vai buscá-la. Infelizmente, há várias pessoas mal intencionadas. Se não havia autorização, o oficial a teria enviado para o abrigo para protegê-la", explica a advogada.

Fim do sonho

A notícia da marcação da audiência para o fim de janeiro foi recebida com tristeza por V., segundo sua mãe. "Eles estragaram um sonho que minha filha tinha, que era conhecer os Estados Unidos e visitar os parques da Disney. Ela perdeu a vontade de ficar lá. Ela me disse: ‘Mãe, não quero mais conhecer nada aqui. Só quero voltar para casa", disse Alexsandra.

V. ganhou a viagem para os Estados Unidos da tia e pretendia ficar lá até 26 de maio. As autoridades americanas dizem que não podem dar explicações sobre o caso para não invadir a privacidade de V.

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