Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

'Eu vou prender um a um', diz mãe de jovem assassinado

Adriana Nogueira rompeu o silêncio durante velório do filho, Jonathan Moreira, encontrado morto com mais quatro jovens em uma área rural de Mogi das Cruzes

Felipe Resk, O Estado de São Paulo

12 de novembro de 2016 | 15h52

No início da tarde deste sábado, 12, o silêncio na espera pela chegada dos corpos no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo, foi rompido por um grito de dor. "Eu vou prender um a um", irrompeu Adriana Nogueira que, o rosto vermelho e os olhos inchados pelas lágrimas, era amparada por amigos e familiares ao chegar no local onde velaria em caixão fechado o próprio filho, Jonathan Moreira Ferreira, de 18 anos - um dos cinco jovens encontrados mortos em uma área rural de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

 

Pessoas próximas às cinco vítimas da chacina  foram ao cemitério, mas apenas quatro corpos foram velados lado a lado. A exceção é Jones Ferreira Januário, de 30 anos, o motorista do carro que levaria os rapazes a uma falsa festa em Ribeirão Pires. Por um desencontro de informações, pai, mãe, irmã e tio dele estiveram na Vila Alpina, onde acharam que seria o enterro.

Eles saíram do cemitério sem ter contato com o corpo, que ainda aguardava documento da família para ser liberado do IML. "Quero acabar logo com isso, com o sofrimento dele e da família", afirmou um parente, que não quis se identificar. "O Estado sabe que as famílias são humildes, faltou amparo e informação", disse outro familiar.

Dezenas de pessoas trouxeram rosas ao velório para jogar pétalas sobre o caixão. No fim da manhã, dois ônibus lotados transportaram para a Vila Alpina moradores do Parque São Rafael, região da periferia da zona leste, onde os jovens moravam. Silenciosos, mantiveram clima de consternação e luto.

 

Amélia Donato, tia de Robson Fernando Donato, de 16 anos, que era cadeirante, não conseguiu conter a indignação. "Estou muito, muito revoltada. A gente só quer Justiça", afirmou. "Mataram um inocente que não tinha nada a ver." Os outros mortos eram César Augusto Gomes Silva, de 19 anos, e Caíque Henrique Machado Silva, de 18.

 

Protesto. "Governo do Estado de São Paulo, quem matou os cinco", dizia uma faixa de protesto da ONG Rio de Paz, levada para o velório. "Precisamos ter um programa de combate a grupos de extermínio", disse a coordenadora Fernanda Vallim. Segundo afirma, o movimento vai entrar em contato com as famílias para que entrem com pedido de indenização pelos assassinatos.

 

Cheila Olalla, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), que acompanha as famílias, diz estar satisfeita com o andamento das investigações, conduzidas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). "Um GCM já foi preso e já há outros dois investigados. Temos convicção que é um grupo de extermínio e que tem mais policiais envolvidos."

 

O guarda-civil Rodrigo Gonçalves Oliveira foi preso acusado de usar um perfil falso do Facebook para atrair os jovens para uma festa que não existia. O grupo foi visto pela última vez antes da emboscada. Aos policiais, Oliveira negou o assassinato e disse que a armadilha era para prender o grupo.

 

Para o DHPP, no entanto, Oliveira agiu para vingar a morte do colega Rodrigo Lopes Sabino, vítima de um latrocínio em 24 de setembro.

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