'Eu tenho medo de morrer'

Entrevista com Isao Hosogi, presidente do sindicato dos motoristas

Entrevista com

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 02h05

Isao Hosogi, de 60 anos, é presidente do sindicato dos motoristas de São Paulo desde 2004, mas atua na área de transporte há mais de três décadas. Aos 21 anos, começou a trabalhar como motorista de ônibus. Mais tarde, passou a ocupar secretarias no sindicato. Preso em 2003 sob suspeita de enriquecimento ilícito, chegou à presidência no ano seguinte. Hoje, diz ter medo de retaliações e ressalta que as mortes na entidade - 16 em 20 anos - não estão ligadas aos trabalhadores, mas a sindicalistas. Por isso, anda com seguranças particulares.

Tem medo de morrer?

Nas circunstâncias atuais, todos os dias tenho muito medo de morrer. Por isso, quando vocês me questionam sobre os policiais militares, digo que é o que me dá a condição de sobreviver. Eles que estão cuidando da minha segurança pessoal.

E quer continuar nesse cargo?

A minha motivação para permanecer é o pedido dos trabalhadores e das centrais sindicais. Queriam que eu saísse candidato à reeleição. Minha vontade não era essa. Espero estar vivo até o fim do meu mandato (em 2018), que com certeza será o último.

O que precisa mudar para que a entidade deixe de ser o que chamam de "sindicato do crime"?

Tem muita coisa. Essa questão da violência - não pode existir isso no meio sindical. As mortes que ocorreram até hoje não foram feitas pelos trabalhadores, mas por pessoas próximas do sindicato.

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