Amanda Perobelli
Amanda Perobelli

'Eu passo o ano esperando dezembro', diz colecionadora de Papais Noéis

Mariza Maredei leva três dias para montar a decoração da casa, com mais de 80 bonecos, para a festa de Natal

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2016 | 03h00

Na porta de entrada, em cima da mesa de jantar e até na pia do banheiro. Por onde se olha no apartamento de Mariza Ferrari Maradei, a dona Mariza, há um Papai Noel. Os mais de 80 bonecos do bom velhinho espalhados pela casa não são só uma decoração natalina elegante e bem arrumada. Eles cumprem mesmo é uma função afetiva. É que aos 77 anos, mãe de quatro filhos, avó de nove netos e bisavó de quatro bisnetos, dona Mariza é tomada de ansiedade quando se aproxima o Natal. “Eu passo o ano esperando dezembro”, afirma.

Para dona Mariza, Natal é tempo de celebrar a família – e daí tanto Papai Noel. Se fosse só por ela, católica de ir à missa todos os domingos, o apartamento estaria coberto era de imagens do Menino Jesus. “Eu penso na felicidade das crianças. O Papai Noel é o símbolo do Natal para elas.”

Os pequenos ficam mesmo alvoroçados com a decoração. De férias, as netas fazem os bons velhinhos acenderem as luzes e entoarem Jingle Bells e  Noite Feliz sem parar. Tem Papai Noel com saxofone, piano, sanfona, violino, bateria, guitarra: uma orquestra inteira. Tem Papai Noel fotógrafo, motociclista e até que rebola no bambolê. De pelúcia, de plástico, de todo jeito. Na véspera de Natal, a tradição é acionar todos eles ao mesmo tempo. “Depois, eu fico acordada até umas 4 horas para conseguir desligar tudo.”

A coleção começou há mais de 50 anos e dona Mariza não mede esforços para aumentá-la. Um dos bonecos preferidos, posto no hall do apartamento, custou R$ 400. “Se eu gostar, eu compro”, diz. Quando viajou à Europa, trouxe um Papai Noel. Durante o ano, procura novidades no comércio – a maioria deles foi adquirida em lojas de importados. “Hoje, está muito difícil achar os que cantam”, lamenta a colecionadora. 

Para organizar a decoração, dona Mariza segue o calendário religioso, começando quatro domingos antes do Natal. Ela leva três dias para montar tudo. “Eu quero deixar o melhor, o mais bonito, o mais alegre. Sempre pensando na família”, diz. Já no Dia de Reis, 6 de janeiro, guarda os enfeites em um depósito no prédio onde mora, em Santana, na zona norte. São necessárias 30 caixas para estocar tanto Papai Noel. “Até desmontar, eu recebo visita de um monte de gente. Muita criança quer brincar aqui.”

Dona Mariza afirma que gosta da casa cheia. Neste ano, ela esperava receber 32 pessoas para a ceia de Natal, com direito a amigo secreto e sorteio de presentes (só para as meninas, porque 2016 é ano de crise). O cardápio já estava preparado, com bacalhau à Gomes de Sá, leitoa, tender e salada tropical. Desta vez, preferiu dar um tempo nos frutos do mar, depois de ler em uma revista sobre camarões com alto índice de contaminação que podem transmitir doença. Todos rezam uma ave-maria e um pai-nosso antes de começar a comer, pedindo “saúde para os presentes” e “paz para os que se foram”.

Para dona Mariza, este Natal também vai marcar uma passagem – e os olhos ficam marejados quando lembra da ceia mais silenciosa do que de costume, em 2015. Foi nesse ano que a irmã dela descobriu que tinha câncer e iniciou o tratamento. A doença, diz dona Mariza, “veio de repente”. “Uma semana antes do Natal, Deus a chamou para perto Dele”, afirma.

Agora, quer guardar as lembranças com carinho. “A gente sente saudade dos que partiram, mas Natal é tempo de alegria e de saúde”, diz. “Eu quero mais é que, nesses tempos de desarmonia e revolta, o mundo consiga se entender e viver em paz.”

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