Werther Santana/AE
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''Eu o defendi'', diz mãe sobre sequestrador da filha

Fernanda, de 17 anos, foi levada da frente de casa a mando do ex-namorado, que consolou a família da menina e queria R$ 80 mil

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

ENTREVISTA

Maria do Céu, vereadora de Embu-Guaçu

É comum na ficção a noção de que alguém possa estar convivendo com um inimigo, totalmente alheio ao perigo que ele representa. Mas poucas vezes na vida real essa trama se concretiza de forma tão absoluta. Na terça à noite, a vereadora Maria do Céu (PSDB), de Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, foi surpreendida duplamente.

Primeiro, quando ouviu os gritos de sua filha Fernanda, de 17 anos, ao telefone, quando era puxada pelos cabelos para dentro de um Fusca branco. Ela estava sendo sequestrada. Depois, quando soube que Renato Martins de Melo, de 23 anos, ex-namorado de Fernanda, o mesmo que lhe dava consolo na delegacia, era o mentor do crime. "Quando o policial levantou a possibilidade de que ele estava envolvido, eu o defendi. Até agora não acredito", disse, em entrevista ao Estado.

Renato e seus três comparsas foram presos em flagrante. Eles chegaram a exigir R$ 80 mil para libertar a jovem, que foi agredida com chutes e tapas. Depois de libertada, Fernanda levou a polícia ao cativeiro. Os donos do local, que alugaram o imóvel, entregaram os criminosos Gilney Gasparini, Michael Rosário Silva e Cristovão Dias Joaquim, que, por sua vez, deduraram Renato. "Fico sentida pela família dele, que é humilde."

Como era o relacionamento da sua família com Renato?

Até agora, não acredito no que aconteceu. O Renato namorou a minha filha por cinco meses, tinha um ótimo relacionamento com a gente, eu o tratava como se fosse da família. Eles terminaram há dois meses e, de uns tempos para cá, ele queria reatar e ela, não. Ele não trabalha. Arrumei emprego para ele, mas ele não se interessou. Eu sempre incentivei o rapaz a continuar estudando. Ele é bonito, podia ter um futuro brilhante.

Como eles se conheceram?

Nosso município não é muito grande e eu, como pessoa pública, conheço muita gente. Eles se conheceram por acaso.

O que aconteceu na terça?

Eu saí de casa umas 19h e a Fernanda ficou lá, com o pai. Ela me ligou e perguntou se eu estava chegando, porque um amigo dela havia lhe telefonado e pedido para ela abrir o portão. Eu avisei que chegaria em breve. Foi quando ouvi os gritos de "pai, pai". Esse rapaz, o Gil, armou uma emboscada.

Ele era amigo dela?

Sim, estava há mais de um mês ganhando a confiança dela, passando de amigo. E ela nunca desconfiou que ele era amigo do Renato. Quando ela abriu o portão, eles a agarraram pelo cabelo e a jogaram no carro. Cheguei em casa e o portão estava aberto. Fui à base da polícia e um sequestrador me ligou. Estava muito nervosa e passei o telefone para um policial, que se identificou como tio dela. O sequestrador disse que queria falar com o pai da Fernanda e o policial passou o celular para outro colega, que se fingiu de pai. O rapaz então pediu R$ 80 mil para entregar minha filha.

Renato já estava ao seu lado?

Não, ele chegou em seguida. Eram 20h. Ele perguntou o que tinha acontecido e disse que estava ali para ajudar, me tranquilizou. O policial ainda desconfiou e eu o defendi, dizendo que o conhecia. Em seguida, ele foi embora e ligou para os comparsas soltarem a Fernanda.

Como vocês souberam do envolvimento dele?

A polícia chegou aos sequestradores, que entregaram ele rapidinho.

A senhora chegou a falar com ele?

Não quis falar com ele, porque o sentimento de revolta é grande. Vou falar o quê?

Como sua filha está se recuperando?

Ela apanhou bastante, está com hematomas. E está sentida não só pela dor, mas pela humilhação. Ficou surpresa com o rapaz que se aproximou fingindo ser amigo. Com relação ao ex-namorado, acho que ela pensa que ele está envolvido com coisas ruins. Não sei, tem certas pessoas que nem deviam te causar surpresa. Para mim causou, porque eu tratei ele bem, como se fosse filho. Ele usava meu carro, dormia em casa, viajava com a gente.

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