Etiqueta em mala leva polícia a serial killer da zona leste

Policiais descobriram que assassino havia pego a valise no lixo em condomínio onde trabalhava; ele confessou ter matado 5 mulheres

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2013 | 02h03

A etiqueta de uma companhia aérea presa em uma mala fez a Polícia Civil chegar a Eduardo Sebastião do Patrocínio, de 42 anos, que confessou ter matado cinco mulheres no Itaim Paulista, zona leste da capital. A mala com a etiqueta, encontrada no início deste mês, continha o corpo de Senira Leite de Oliveira, de 25 anos, usuária de droga e moradora de rua assassinada por Patrocínio.

Por meio da etiqueta, a polícia chegou ao dono da mala, morador de um condomínio na Barra Funda, zona oeste, onde Patrocínio trabalhava como auxiliar de limpeza. O morador afirmou que havia jogado a mala fora havia poucos dias. Na lista de funcionários do condomínio, Patrocínio era o único que morava no Itaim Paulista. Ao ser procurado para explicar sua relação com o caso, confessou não apenas ter matado Senira, mas também outras quatro mulheres na zona leste da capital.

Em seu depoimento, Patrocínio afirmou ser usuário de crack e disse que todas as vítimas também usavam drogas e eram prostitutas. A motivação para os crimes teria sido a mesma, segundo a polícia: ao não conseguir manter relações sexuais com as vítimas, por causa do efeito do crack, ele as estrangulava. O delegado chefe de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Itagiba Franco, afirmou que ele não demonstrou nenhuma emoção no depoimento.

Ainda de acordo com a polícia, as vítimas teriam sido mortas na casa de Patrocínio, exceto a primeira, morta em um terreno baldio. Os corpos foram deixados em locais diferentes, mas todos em um raio de 500 metros da residência do auxiliar de limpeza.

Além de Senira, apenas a quarta vítima foi identificada, Naiara Ribeiro de Sá, cujo corpo também estava em uma mala e foi encontrado em novembro do ano passado. A terceira mulher assassinada estava enrolada em um tapete e as duas primeiras foram encontradas na rua. Segundo a polícia, ao longo do tempo Patrocínio passou a ter a preocupação de esconder os corpos.

A cada crime, ele se aproximava cada vez mais de sua casa o que, segundo o delegado Itagiba Franco, demonstrava que estava perdendo o medo. "Na minha opinião, ele foi se acostumando, ele pegou o gosto por matar", disse em entrevista coletiva ontem.

Datas. Os homicídios foram cometidos entre 4 de dezembro de 2010 e 12 de janeiro de 2013. Entre o primeiro e o segundo crimes confessados pelo auxiliar de limpeza, no entanto, passaram-se quase um ano e meio. Por isso, a polícia suspeita que outros crimes não confessados por Patrocínio possam ter ocorrido durante este período.

Anteontem, bombeiros foram até sua casa e cavaram buracos no jardim. Nenhum outro corpo foi encontrado lá.

Patrocínio já tinha passagem na polícia por furto, em 2004. Ele foi preso temporariamente e sua pena pode ir de seis a 20 anos.

De acordo com o delegado, dificilmente ele será considerado inimputável.

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