Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Estudo aponta galerias de R$ 90 mi como solução para cheias na Pompeia

Obras nos Córregos Sumaré e Água Preta terão recursos da Operação Urbana Água Branca, mas não ficarão prontas até o período de chuvas

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2010 | 00h00

A nova solução que a Prefeitura de São Paulo planeja para acabar com as enchentes na Pompeia, na zona oeste de São Paulo, é a construção de duas galerias pluviais de concreto ao longo dos Córregos Sumaré e Água Preta, cada uma avaliada em R$ 45 milhões. Em agosto, o Estado revelou que o governo desistiu do plano anterior, anunciado em 2008 - a região ganharia dois piscinões, um na Avenida Francisco Matarazzo e outro na Avenida Pompeia.

O levantamento feito nos últimos oito meses pelo Consórcio Maubercon, ao custo de R$ 4,7 milhões, apontou que os piscinões não seriam suficientes para evitar o acúmulo de água na Rua Turiaçu, ao lado do Estádio do Palmeiras. O impacto urbanístico e o alto custo para a desapropriação de 14 imóveis e de um posto de gasolina também pesaram na decisão.

O estudo indicou que só uma nova galeria subterrânea poderá reduzir a força das águas do Água Preta, córrego que nasce a 75 metros de altitude, na Vila Madalena, perto da Rua Cerro Corá. Seu trajeto descendente pelo meio da Pompeia e de Perdizes, em canos construídos na década de 1960, faz a água adquirir forte pressão até o início de seu trajeto plano, que começa no cruzamento da Rua Turiaçu com a Avenida Antártica, na Praça Marrey Júnior. As tubulações antigas serão reformadas e vão ficar paralelas às novas.

"Quando chove forte, o córrego chega com tanta pressão no cruzamento que não entra nas bocas de lobo e nas galerias que deveriam colocá-lo em um curso reto até o Rio Tietê. É por isso que a água transborda pelos bueiros e alaga toda a parte de baixo da Pompeia", diz a presidente da Associação Amigos da Vila Pompeia, Maria Antonieta Lima e Silva. Ela apoia parte do novo plano antienchente do governo municipal. "É a primeira conquista em 16 anos de inundações."

A canalização do Córrego Sumaré, que nasce na Praça Abelardo Rocas, perto da Avenida Dr. Arnaldo, e segue um percurso praticamente reto até o Rio Tietê, também foi apontada como necessária no estudo. As duas novas galerias serão mais largas e quadradas, com poder de vazão 40% maior - os canos atuais são redondos e mais estreitos. "A canalização do Sumaré não é necessária. É jogar dinheiro no lixo. Ele não transborda e não conflui com o Água Preta. Tem coisa mais urgente no bairro para ser feita", avalia Maria Antonieta.

Pacote. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano confirmou que o estudo da Maubercon apontou as duas galerias como alternativa para o histórico problema das enchentes na Pompeia. Mas nenhuma obra deve ficar pronta antes das chuvas de verão deste ano, conforme havia admitido em outubro o próprio prefeito Gilberto Kassab (DEM).

A licitação das galerias deve ser feita até o fim de dezembro, em um pacote que inclui também a elaboração dos projetos básico e executivo do prolongamento da Avenida Auro Soares de Moura Andrade - desde o Condomínio Casa das Caldeiras, ao lado da Avenida Francisco Matarazzo, até a Rua do Curtume. Os R$ 82 milhões arrecadados pela Operação Urbana Água Branca serão utilizados nas intervenções, com possibilidade de suplementação do governo.

Criada em abril de 1995 numa região às margens da orla ferroviária, essa operação urbana trouxe para o eixo Pompeia-Perdizes-Barra Funda 17 torres residenciais e empreendimentos como o Shopping Bourbon e o Hipermercado Sondas. Para construir acima do permitido pela lei de zoneamento, esses construtores pagaram a chamada outorga onerosa, um valor que é depositado na conta da operação urbana e só pode ser usado em melhorias no bairro.

Nesses quase 16 anos, porém, nenhuma obra de melhoria para o trânsito ou de combate às inundações saiu do papel. A Pompeia também não ganhou nenhuma área verde, apesar do adensamento. O primeiro projeto com uma lista de 17 obras, apresentado em 2007, foi revisto a partir de 2009. O cronograma para a execução do novo plano, com a construção das duas galerias, deve ser divulgado em 2011.

Licença. Para as obras começarem, contudo, será necessário que o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades) aprove antes o estudo de impacto ambiental (Eia-Rima) das obras da Operação Urbana Água Branca, apresentado na quinta-feira em audiência pública. A colocação das novas galerias também não será fácil, já que o Córrego da Água Preta passa pelo meio de instituições como o pátio do Centro Universitário São Camilo e o Sesc Pompeia.

Canalizado em 1962, o Água Preta desce em espiral pelo meio da Pompeia, por baixo de ruas como a Barão do Bananal e a Desembargador do Vale.

PARA ENTENDER

Carro boiando na rua virou cena comum

É só o céu ganhar o tom escuro típico dos temporais que muita gente que trabalha nas proximidades da Rua Turiaçu começa a antecipar a volta para a casa.

E o receio tem motivo justificado há pelo menos duas décadas. As imagens de carros boiando atrás do Estádio do Palmeiras circulam pelo País a cada época de enchentes. Só entre setembro e março do ano passado, o cruzamento da Turiaçu com a Avenida Antártica alagou 19 vezes.

Ali bem perto, o cruzamento da Avenida Francisco Matarazzo com o Viaduto Pompeia, do lado do Shopping Bourbon, inundou 12 vezes.

Quem mora na Lapa e precisa ir trabalhar de carro no centro, por exemplo, normalmente tem de passar pelos pontos de alagamento da Pompeia e da Água Branca.

As inundações também inviabilizam a maior parte dos acessos ao Elevado Costa e Silva, o Minhocão, por onde passam 21.600 carros entre 7h e 10h. Sem obras significativas nos últimos 12 meses, o calvário do motorista na região deve se repetir a partir de dezembro, com a chegada das chuvas.

A Subprefeitura da Lapa e a Sabesp têm feito obras emergenciais nos últimos dois meses, como a reforma do coletor-tronco do Pacaembu, ao custo de R$ 7,2 milhões, e a reforma de galerias antigas na Pompeia.

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