Estúdio de graça para músicos de SP

Prefeitura abre hoje inscrição para ações culturais

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2013 | 02h03

Escondida no andar térreo do imponente prédio do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital, a sala que abriga o Lab C só é identificada pela lâmpada que fica do lado de fora, acesa quando os microfones estão ligados. E isso acontece todos os dias da semana, sem interrupção, desde 2006.

O Lab C foi aprovado no programa de valorização de iniciativas culturais (Vai) da Prefeitura e não cobra nada dos músicos. Aliás, de hoje até 1.º de fevereiro ficam abertas as inscrições para a edição 2013 do Vai.

As regras que regem a pequena sala de pouco mais de 25 m² forrada com espuma antirruído são simples: basta mandar um e-mail pedindo para marcar uma data, com o número de integrantes da banda. A fila de espera é, em média, de três meses, mas ninguém fica sem gravar, garante o técnico de som Marcelo Gregório. É ele quem grava, produz, remasteriza e até toca junto dos músicos que procuram o CCJ para dar o primeiro passo de suas carreiras. "Dou pitaco, faço arranjo e até toco. Sou obrigado a fazer um pouco de tudo", conta.

A ideia de montar o estúdio é do próprio Gregório. Ele diz que, como músico, sentia certo desdém dos estúdios que frequentava na região pelo trabalho de bandas iniciantes. "Os estúdios têm apego só ao tempo, e ao dinheiro que ganham por cada hora - cerca de R$ 35 na Vila Nova Cachoeirinha", afirma. "Trabalhamos com os sonhos de pessoas e não tem grana que pague isso."

No estúdio não há espaço para preconceitos musicais. Todos os estilos - rock, rap, reggae, funk, samba, instrumental e até gospel - têm vez. Em uma mesma semana, por exemplo, Gregório fez a primeira sessão para a gravação do disco da banda de reggae QG Imperial na segunda; gravou músicas do grupo de rap D'monte na terça; e mixou o disco de Gui Batera na quarta.

Só em 2012, 64 bandas passaram por lá e em seis anos mais de 5,7 mil faixas foram gravadas. "É uma oportunidade para pessoas, que como a gente não teriam grana para fazer uma gravação de qualidade", afirma Manoel Amaro Silva Neto, o Neto do Sapo, um dos usuários do espaço.

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